segunda-feira, 3 de setembro de 2018

CAPÍTULO 01 - YOU KNOW I'M NO GOOD


MÚSICA QUE INSPIROU O CAPÍTULO:

OBS IMPORTANTE: Este romance é um spin off de FALSAS VERDADES e crossover com LUAS DE MARIASVocê não precisa ter lido nenhum dos dois para compreender esta história, mas claro que quem leu vai aproveitar bem mais a volta das personagens...

Para ler FALSAS VERDADES acesse: http://falsasverdadess.blogspot.com.br/


Durante todo o percurso de carro, Débora se manteve calada ao lado de Marina. Não só por Amanda monopolizar toda a conversa, o excesso de bebida ingerido fazendo-a enrolar a língua a cada frase, algumas totalmente sem sentido, mas todas compreensíveis para quem sabia ao que ela se referia. O que mais seria? Michelle. Amanda só pensava nisso. 
Estranhamente, Débora não se incomodou, seu desconforto agora estava centrado em outra pessoa. Especificamente na falta de controle que sentia quando estava perto de Marina. 
Não se considerava uma pessoa romântica. Pelo contrário. Exatamente por isso, o choque de se ver subitamente apaixonada por Amanda só não foi maior do que a dificuldade de admitir, aceitar e acolher dentro de si mesma, que tinha acontecido com ela – logo ela – algo que considerava completamente impossível e sem sentido: amor à primeira vista.
Quando Amanda correspondeu, de uma maneira direta, sem artifícios, pareceu perfeito. Ilusão que não durou, logo compreendeu que o que sentia não era absolutamente correspondido.
O surgimento e a aproximação de Marina tornara tudo pior ainda. Odiava - com todas as forças que possuía e as que sequer tinha ciência que existiam - a beleza e a sedução inteiramente despreocupadas e inconsequentes da mestranda que considerava uma irresponsável inconsequente e egocêntrica, exibida, grosseira, vulgar, indecente, ofensiva, infame, desprezível...
Sequer encontrava adjetivos pejorativos suficientes para defini-la. 
“Ela realmente tem o poder de me irritar”.
Foi a conclusão a que chegou. Não se permitiria a mais do que isso.
Marina, por outro lado, permaneceu quieta por motivos igualmente inconfessáveis. Tinha pensado bastante em Débora nos últimos dias. De uma maneira que não queria nem deveria. Tinha jurado para si mesma que nunca mais consentiria envolver-se. No entanto, existia uma distância infinita e incontrolável entre o que tinha determinado racionalmente para si mesma e o que ter Débora ao seu lado lhe despertava.  A constância com que ela ocupava seus pensamentos deixava clara a incoerência entre o que pensava e o que sentia. 
Tiveram que carregar Juliana para a cama, ela estava praticamente desmaiada. A irmã gêmea de Amanda adormeceu assim que a deitaram no colchão. Já Amanda, estava mergulhada em outro tipo de inconsciência. Passou a mão tanto em Marina quanto em Débora, indiscriminadamente:
- Eu devia ter me apaixonado por vocês duas...
Puxou-as e as abraçou juntas, de forma que Débora e Marina acabaram coladas também. Tentou beijar Débora que, ao desviar o rosto, acabou roçando os lábios nos de Marina. Completamente vexada, pediu:
- Me desculpa...
Marina não disse nada, apenas fez Amanda se deitar e ordenou, seriíssima:
- Agora sossega. Vai dormir.
Não precisou repetir. Amanda sorriu, já de olhos fechados:
- Tá.
Um segundo depois, não estava mais acordada. Marina se virou para Débora e falou a coisa mais inesperada:
- Eu juro que não fiz de propósito. Pelo contrário. Nunca teria ficado com a Amanda se soubesse que você e ela estavam namorando.
A intenção de Marina não era absolutamente agradar Débora. Estava dizendo a verdade. Seu interesse por Amanda jamais ultrapassara o limite do “naquele determinado momento, na ausência de diversão melhor”. Tinha ficado com ela como ficaria - e ficava - com qualquer mulher bonita disposta a fazer sexo casual. Nunca passaria disso se não tivessem se identificado a ponto de se tornarem o que eram agora: boas amigas. Sentia por Amanda um afeto e uma preocupação fraternal e mais nada.
Sua sinceridade ficou evidente para Débora, que achou a atitude de Marina admirável. Fez questão de tranquilizá-la:
- Nós não estávamos. 
Marina não escondeu a surpresa:
- Eu pensei que...
Antes que conseguisse concluir a frase, Débora disse com todas as letras:
- A Amanda nunca foi minha namorada. Nós só ficamos algumas vezes.
A confusão de Marina passou a ser outra: 
- Mas então por que...?
Todo o rancor e a agressividade que Débora jogava sobre Marina sempre que se encontravam pareceram subitamente injustificáveis. Até Débora dizer:
- Me desculpa. Eu acabei descontando toda a minha frustração em você. 
Deixou escapar um suspiro profundo antes de continuar:
- Não é culpa sua a Amanda ter me dispensado. Se não fosse com você, seria com outra. Ela não queria ficar comigo. Essa é a verdade.
A experiência de Marina era vasta. Incluía não uma, mas várias desilusões, dores de cotovelo e fracassos:
- Bom, não é fácil duas pessoas se interessarem uma pela outra ao mesmo tempo. Geralmente, a gente se interessa por quem não está nem aí pra gente e não estamos nem aí pra quem está interessada em nós.
O sorriso de Débora pareceu iluminar toda a sala:
- É, tem razão. Olha que coisa mais irônica: eu estava interessada na Amanda e ela estava interessada em você.
A voz de Marina saiu baixa, quase sussurrada:
- Estava? Não está mais?
Sentindo-se estranhamente sem jeito, Débora respondeu:
- Acho que a Amanda está realmente apaixonada pela Michelle.
Foi ofuscada pelo riso deliciosamente divertido de Marina:
- Não estou falando da Amanda. 
Ela se aproximou, ficou a milímetros apenas, a boca tão próxima que Débora pôde sentir perfeitamente... Cada palavra soprada por Marina:  
- Eu quero saber de você.
Tomada por um nervosismo incontrolável, Débora chegou a gaguejar, falou com muita dificuldade:
- Eu? Eu não estou interessada em ninguém.
Os olhos de Marina cintilaram: 
- Que bom, porque eu estou. 
Passou a língua nos lábios antes de continuar:
- Muito interessada...
A respiração de Débora se alterou, acompanhou a de Marina, em completa sintonia enquanto ela concluía:
- Em você.
Tomou os lábios de Débora nos dela, com uma voracidade intensa e absolutamente arrebatadora.
A primeira reação de Débora foi instintiva e puramente física. Passou os braços ao redor do pescoço de Marina e correspondeu com a mesma veemência. Levou alguns minutos para ser capaz de pensar e se surpreender, não com a atitude de Marina - era exatamente o que esperava dela -, mas com a própria vontade, o prazer que sentiu naquilo. 
Deixou-se levar, se permitiu desfrutar o ardor que os beijos e carícias despertaram. Teria continuado assim, nos braços dela, inteiramente entregue à languidez trêmula e fremente que Marina causou com a boca, a língua e os lábios. Foram as mãos, buscando pele por baixo das roupas que a trouxeram de volta à realidade. Afastou-as num protesto que saiu sussurrado:
- Calma...
Mas que teve o poder de detê-la. Marina se afastou, apenas o suficiente para sugerir:
- Vamos sair daqui?
A urgência nos olhos dela deixando claro o que pretendia e desejava. Usá-la e se deixar usar. Não que Débora tivesse pudores ou algum empecilho moral que a impedisse, não seria a primeira vez, pelo contrário. Não tinha nada contra sexo casual. No entanto, naquele momento não era o que queria, muito menos o que precisava. Já bastava a experiência com Amanda, mais uma pegação inconsequente em sua vida era totalmente desnecessária. Por mais deliciosa e experiente que Marina fosse - pela perícia ao beijar podia calcular o quanto - preferiu não aceitar:
- Vou pra casa.
Afastou-se da parede em que estava encostada e de Marina, pegou a bolsa que tinha deixado sobre a mesa ao entrar. 
Marina engoliu a própria perplexidade e vaidade, em questão de segundos estava novamente atrás de Débora, oferecendo:
- Eu te levo.
Débora se virou para ela:
- Não precisa. 
Deixando Marina completamente ofuscada pelo sorriso e pela recusa recebidos. Segurou a mão de Débora com a mesma doçura com que falou:
- Pensei que tivéssemos ultrapassado essa fase.
Uma simplicidade suave e íntima se estabeleceu. O sorriso de Débora se transformou quase em riso:
- Que fase?
Sem soltar a mão dela, Marina se aproximou, olhando-a de lado, de um jeito provocante e irresistivelmente sedutor:
- De você me odiar e querer distância de mim.
A resposta de Débora soou tímida, quase frágil:
- Não é isso. 
Marina aproveitou para enlaçá-la pela cintura:
- O que é então?
A respiração de Débora se alterou, ela disfarçou como pôde:
- Não quero te dar trabalho.
O rubor nas faces dela deixou Marina deliciada. Puxou Débora para si, soprou em seu ouvido causando arrepios:
- Vai ser um prazer...
Débora se defendeu da única forma possível, colocando as mãos nos ombros de Marina, os braços entre elas garantindo que os corpos se mantivessem separados. Mas Marina jamais desistiria tão fácil:
- Claro que eu preferia te levar pra minha casa...
Desceu os lábios pelo pescoço de Débora de uma forma que julgava infalível, causando tremores e arrancando alguns gemidos e suspiros antes de sugerir:
- O que você acha?
A mudez de Débora a obrigou a insistir:
- Vamos? 
A insegurança que se iniciara com a ausência do consentimento imediato que Marina tinha como certo aumentou ainda mais quando Débora falou, afinal:
- Não, eu quero ir pra minha casa.
Sem ser capaz de esconder o quanto estava desconcertada, Marina a soltou, deu dois passos para trás e concordou sem fitá-la:
- Tá. Tudo bem.


Um silêncio absolutamente desconfortável se estabeleceu entre as duas e se manteve até o momento em que entraram no carro. Antes que Marina pudesse girar a chave na ignição, Débora colocou a mão no braço dela e a chamou:
- Marina...
De uma maneira tão doce e suave que desarmou Marina completamente. Virou-se para ela sem saber o que esperar. Foi com total perplexidade que viu Débora aproximar o rosto. A mesma com que se deixou beijar, à princípio com passividade. Quando o beijo se tornou mais e mais exigente, tateou em busca de um contato mais íntimo, da maneira ávida e ousada que lhe era usual. Surpreendeu-se de novo, não só por ter todos os avanços rechaçados, mas por Débora não se afastar nem parar de beijá-la. Apenas segurou e conteve as mãos de Marina, mantendo as carícias num limite comportado. Aquilo deixou Marina indignada. Bufou, irritadíssima:
- O que você tá querendo?
Débora a olhou profundamente ao afirmar:
- Te beijar.
Com uma sinceridade cristalina, que fez Marina compreender que não se tratava de uma provocação, afinal. A expressão de incredulidade nos olhos de Marina deu lugar a outra, tão fascinante quanto o jeito que ela confessou:
- Eu queria mais.
A despeito disso, Débora se manteve firme:
- Não estou pronta pra isso.
Fez uma pausa antes de concluir:
- Não precisa me levar, posso chamar um uber.
Não houve hesitação alguma por parte de Marina:
- Uma coisa não tem nada a ver com a outra.
Segurou o rosto de Débora entre as mãos, roçou os lábios nos dela de leve, num último beijo repleto de carinho:
- Vamos até onde você quiser.
Depois, se virou para o volante e completou, com um sorriso que Débora achou lindo:
- É só me ensinar o caminho.

CONTINUA NA PRÓXIMA 2a feira...
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ou total de R$ 500,00 antes, o primeiro capítulo também foi 
postado antes. Não sei nem como agradecer, tudo que eu disser será pouco, muito mas muito obrigada mesmo!!!


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- Se atingirmos 100 cotas de R$ 10,00, ou total de R$ 1.000,00, serão postados dois capítulos por semana.

- Se atingirmos 150 cotas de R$ 10,00, ou total de R$ 1.500,00, serão postados três capítulos por semana.

200 cotas de R$ 10,00, ou total de R$ 2.000,00 = quatro capítulos por semana. 

250 cotas de R$ 10,00, ou total de R$ 2.500,00 = cinco capítulos por semana. 

300 cotas de R$ 10,00, ou total de R$ 3.000,00 = a história será postada inteira.



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Postado em 03 de setembro de 2018 às 18h.

8 comentários:

  1. Amanda girina não sabe beber... só apronta... k k k Eu não poderia deixar de implicar né?
    Marina e Débora... tão fofas... minha preferida é Marina, mas não desgosto de Débora.
    Só o fato de Débora colocar limites vai fazer Marina gamar...
    Adorei, ótimo 1º cap...
    Daqueles q dá vontade de continuar... e continuar... e continuar a ler.
    Parabéns...
    p.s. nada de conto curto hein...

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  2. Cabrita, Cabrita...
    kkk
    Que bom que vc gostou!
    Se vai ser curto depende do que vc considera curto... ;)
    Obrigadíssima por comentar!
    espero que continue lendo, gostando e comentando, viu?
    bjo suuuuuuuuper gigantesco no coração!

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  3. Que boa maneira de acabar o meu dia lendo uma história tua, melhor impossīvel...Feliz de matar a saudade da tua escrita reconhecendo e voltando a sentir estas personagens...
    Beijos
    Sandra

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    Respostas
    1. Sandra!
      Que bom te "ver" por aqui, eu estava com saudade!
      Espero que goste da nova história!
      bjo suuuuuuuuuper especial no coração!

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  4. Ahh! Mas a Marina é tão... Minha preferida, com certeza!
    Muito fofinho esse começo. Adorei ver outro lado de uma mesma história.
    Amanda girina tola, bebe e faz merda... ahaha

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  5. hahaha
    Tinha certeza que a Marina era sua preferida!
    Amanda antes de Michelle ainda era apenas uma girina tonta, mas... Ela cresce e amadurece, né?
    kkkk

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  6. Ela está de volta! :D

    Obrigada Diedra por nos presentear com mais uma obra sua. É sempre um deleite!
    Abraço.

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    Respostas
    1. Oi Katia!
      Tudo bem, linda?
      Obrigadíssima pelo apoio e pelo carinho! Espero que vc goste das novas aventuras de Débora, Marina e Amanda! :)
      bjo suuuuuuuper hiper ultra mega especialmente gigantesco no coração!

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