segunda-feira, 3 de setembro de 2018

VERDADES PARALELAS

Escrito entre 27 de julho a 19 de novembro de 2018. 
Postado de 03 de setembro a 21 de novembro de 2018. 
Publicado em versão impressa (livro físico) e digital (ebook) em Julho de 2021.

SINOPSE
Calouros na universidade, Amanda, Débora e Bruno se tornam grandes amigos. Quando Débora se apaixona por Amanda e não é correspondida, essa amizade é abalada. Isso só piora depois que Amanda se envolve com Marina, que não parece estar disposta a se envolver com ninguém. O fato de terem se envolvido com Amanda é a única coisa que une Débora e Marina... Até que se prove o contrário.
Depois de todas as idas e vindas com Laura e Michelle, Amanda acredita que sua atração por mulheres mais velhas terminou. Será?

OBSERVAÇÃO SUPER IMPORTANTE:
Este romance é um spin off de FALSAS VERDADES de Diedra Roiz e crossover com LUAS DE MARIAS de Diedra Roiz e Wind RoseVocê não precisa ter lido nenhum dos dois para compreender esta história, mas claro que quem leu vai ter mais informações sobre as personagens.

AVISO IMPORTANTE: 
 VERDADES PARALELAS será publicado pela Editora Vira Letra, por isso 

SÓ FICARÃO DISPONÍVEIS OS TRÊS PRIMEIROS CAPÍTULOS PARA DEGUSTAÇÃO 



Playlist de VERDADES PARALELAS


VERDADES PARALELAS não é um “romance musical”, mas para aproveitar melhor a leitura, recomendamos que você ouça as músicas indicadas na Playlist. 


Link da playlist no Spotify:
https://open.spotify.com/playlist/2xMmlKZjZtxgP8w1RB9mHF?si=xYfnQknuTOGgZlKsSMqF3Q&nd=1

CAPÍTULO 01 - YOU KNOW I'M NO GOOD

Débora seguiu o olhar de Bruno, que passava de Amanda para Juliana e de volta para Amanda, antes do amigo finalmente verbalizar o que ambos estavam pensando:
– Amanda, você não disse que você e sua irmã eram gêmeas idênticas?
Tanto Amanda quanto Juliana se surpreenderam com a pergunta. Foi a primeira quem respondeu:
– Nós somos.
Débora riu:
– Você tá brincando, né?
Olhou novamente para as duas, tentando encontrar a semelhança. Fato inédito para Juliana e Amanda, acostumadas a confundir as pessoas desde sempre. A conclusão de Débora foi ainda mais chocante:
– A sua irmã lembra você quando nos conhecemos, no começo do ano.
Bruno completou, do jeitinho implicante de sempre:
– Antes de você brigar com a chapinha.
Piscou para Amanda e recebeu como resposta um dedo médio levantado. Mas ela espantou-se de verdade quando a própria Juliana concordou:
– Você está mesmo bem diferente.
Amanda parou para refletir sobre aquilo. Sentia-se realmente outra, não mais uma parte da irmã, quase um complemento, como antes. O cabelo era apenas reflexo do quanto havia encontrado e abraçado sua verdadeira essência. Não fazia ideia se a mudança era para melhor, só sabia que nunca tinha se sentido tanto ela mesma. Não mais a garota de cidade pequena do interior ainda dentro do armário, recém-chegada em Florianópolis, no início do primeiro semestre de 2017, para cursar engenharia na UFSC. Uma vida tinha se passado desde então. Durante aqueles meses experimentara uma série de situações inéditas, dentre elas não morar mais com os pais, assumir e expressar sua lesbianidade à vontade, se sentir tão livre quanto sozinha, e ser a única responsável por seus atos e escolhas. Nem todas acertadas, fato. Mas, se pudesse voltar no tempo, faria tudo de novo. Especialmente a parte que envolvia Michelle. Não se arrependia de ter feito sexo com a companheira da melhor amiga da mãe. Muito pelo contrário. Inteiramente apaixonada pelo vislumbre de perfeição que a mulher vinte e oito anos mais velha tinha lhe oferecido, a única coisa que desejava era repetir. O suspiro longo e profundo que deixou escapar a fez perceber o quanto se perdera nos próprios pensamentos. Falou muito mais numa tentativa de disfarçar:
– Pareço mais velha pelo menos?
A resposta veio de uma voz muito conhecida atrás dela:
– Não. Continua a mesma bobinha de sempre.
Depois da entrada triunfal, Marina pediu:
– Não vai me apresentar?
Antes que Amanda pudesse atendê-la, a própria Juliana o fez:
– Eu sou a Juliana, a gêmea não mais idêntica.
Marina riu. Falou primeiro para Amanda:
– Gostei dela. – E depois completou, para a outra: – Oi, linda. Eu sou a Marina.
Beijou Juliana no rosto, de uma forma propositalmente lenta, com uma das mãos pousada estrategicamente na cintura dela. Amanda praticamente arrancou a irmã dos braços dela. Não conhecia só de ouvir falar, tinha provado e aprovado – a ponto de quase ter ficado caidinha – as habilidades de sedução e pegação da amiga. Falou baixinho, para que somente Marina ouvisse:
– Nem pense nisso.
Só serviu para fazer com que ela risse mais ainda:
– Acho que além do senso de humor dela, a sua irmã também ficou com o seu.
Débora, que desde a chegada de Marina emudecera, finalmente se manifestou:
– Talvez quem acabe com o bom humor das pessoas seja você e a sua cretinice.
Ela fuzilou Marina com o olhar. Não era novidade. As farpas trocadas entre as duas eram uma constante desde que Amanda tinha ficado com Marina, rompendo a exclusividade que nunca tinha prometido em seu breve relacionamento com Débora. Estranho foi a forma como Marina, sempre de uma serenidade e ironia tão invejáveis quanto exasperantes, se exaltou:
– Que eu saiba, você é a única que pensa assim. – Rapidamente percebeu a falha e mudou. Quando sustentou o olhar de Débora, já tinha nos lábios um sorriso provocante: – Ou será o contrário? Eu mexo com você? Te deixo... – Avançou em direção a ela, ficou tão próxima que sentiu a respiração de Débora se alterar quando completou: – Tensa?
Ela não recuou, nem perdeu o controle. Foi absolutamente sarcástica:
– Quantas vezes eu vou ter que te mandar à merda?
Deixa perfeita para Juliana:
– A conversa está ótima, mas acho que vi uma coisa interessante perto do bar.
Débora aproveitou para se afastar com ela. E Bruno, que tinha notado o boy magia sarado ao qual Juliana se referia, endossou:
– Também vou.
Depois que os três sumiram no meio da festa, Amanda se virou para Marina:
– Por que você faz tanta questão de incomodar a Débora?
Na mesma hora, Marina sugeriu:
– Vamos mudar de assunto?
Exatamente o que a amiga queria:
– A Michelle viajou com a Laura, as duas estão tentando voltar.
Para Marina, aquilo não foi surpresa:
– Já era de se esperar, né? Um casamento de vinte anos não termina assim tão fácil, nem de uma hora pra outra. – No mesmo instante, os olhos de Amanda se encheram de lágrimas. Sinceramente comovida, Marina a abraçou: – Não fica assim, amiga...
Tão logo ela pareceu melhor, soltou-a. Não queria que pensassem que estavam juntas, isso certamente atrapalharia sua noite. E, antes mesmo de esquadrinhar a festa de verdade, já tinha em vista três candidatas. Uma delas movia o corpo ao ritmo da música, sem desviar o olhar. Marina a avaliou de cima a baixo, com um sorriso de aprovação nos lábios, deixando claro que não a estava descartando, antes de voltar a atenção para a amiga que pretendia e iria ajudar em primeiro lugar:
– Me conta mais. Postaram alguma coisa? Mudaram o status de relacionamento no face?
Amanda suspirou profundamente:
– Nada. No face nunca nem deixaram de estar casadas.
Com a testa franzida, pediu:
– Deixa eu ver.
Amanda imediatamente entregou o celular para Marina.
– Meeeeu... A última foto é de meses atrás, uma que você postou e marcou, com vocês três.
Na mesma hora, ela lembrou:
– Na Praia do Matadeiro – suspirou: – Ah, se na época eu soubesse...
Enquanto Amanda recordava a primeira vez em que Michelle a tinha tocado, passando protetor solar em sua pele, a amiga entrou em todas as fotos dos poucos álbuns da mulher antes de dar seu parecer:
– Aparentemente elas são um casal perfeito, sempre juntas, super apaixonadas...
Deixou Amanda indignada:
– Você está tentando me ajudar?
Antes que pudesse protestar mais, Marina a cortou:
– Posso terminar? – Esperou, até obter a atenção total de Amanda, antes de prosseguir: – Se o casamento delas fosse mesmo tão perfeito, se elas fossem realmente tão apaixonadas, nenhuma das duas teria nem te olhado. E vamos combinar? A Laura te beijou e a Michelle transou com você, amiga. Abalou não somente um, mas os dois lados!
O brilho nos olhos de Amanda deixava evidente o quanto a tinha reanimado:
– Verdade.
Não satisfeita, Marina aconselhou:
– Se eu fosse você, agora eu só esperava. – Com o sentimento de missão cumprida, mais ordenou do que sugeriu: – Esquece isso um pouco e vamos dançar e encher a cara!
Um par de horas depois, teve que resgatar uma Juliana completamente bêbada das mãos do desconhecido que estava pronto para fazer sexo com ela num canto nem um pouco escuro, de pé, encostada na parede mesmo e na frente de todo mundo.
– Não está vendo que a guria não tá em condições de consentir, porra?
O boy lixo debochou:
– Você é mãe dela, por acaso?
E Marina respondeu bem ao “estilo Débora”:
– Vai à merda!
Carregou Juliana para longe dele com muita dificuldade, pois ela mal ficava de pé. Quando afinal conseguiu sentá-la em uma cadeira, a irmã gêmea de Amanda cruzou os braços sobre a mesa, deitou a cabeça sobre eles e adormeceu.
– Deixa a coitada da hétero se divertir!
Apesar de surpreendida pela crítica de Bruno, Marina tinha a resposta na ponta da língua:
– Olha o estado dela. O cara ia se aproveitar, você não viu?
Débora também a questionou, claro:
– Não foi o que você fez com a Amanda?
Sua indignação não poderia ser maior:
– É completamente diferente!
Marina nunca tinha feito nada sem o consentimento de ninguém. Bruno se retirou da discussão, dizendo:
– Vou ali ver se alguém se aproveita de mim também.
Afastou-se, deixando as duas sozinhas. A brincadeira péssima, completamente deslegitimadora do amigo não fez Débora recuar. Pelo contrário, estava determinada a confrontar Marina:
– É diferente porque ele é homem?
Marina tinha seus argumentos:
– A Amanda sabia muito bem o que estava fazendo. Pode ter certeza que ela consentiu, gostou e participou ativamente de tudo que aconteceu entre nós.
Débora foi mordaz:
– Só faltou você dizer que ela “estava pedindo”.
Conseguiu deixar Marina realmente enfurecida:
– Ela estava tão afim... Gostou tanto que quis repetir.
Arrependeu-se assim que terminou de falar, pois não só calou Débora, como deixou-a visivelmente abalada. Até pensou em se desculpar ou esclarecer melhor, mas não teve tempo, Amanda apareceu naquele exato momento:
– Sobre o que vocês estão falando?
Era a deixa de que Marina precisava:
– Que é melhor levar sua irmã pra casa.
Não só pela fala enrolada, mas pela maneira que Amanda se atirou nos seus braços, ficou claro que ela não estava em muito melhor estado que Juliana:
– Vem comigo?
Marina teve que fazer um esforço gigantesco para conseguir se livrar das mãos de Amanda e afastá-la; assim que se soltava, ela a agarrava de novo. Repetiu o gesto pelo menos quatro vezes, antes de dizer:
– Eu levo vocês pra casa, mas não vai acontecer nada entre a gente.
Amanda praticamente gritou:
– Por que não? Vai ser divertido, sempre foi... – Enlaçou-a pela cintura, puxou-a para si, esfregou-se nela sem nenhuma sutileza, constrangimento ou pudor: – Depois da Michelle, você foi a melhor trepada da minha vida!
Completamente sem noção, como se Débora não estivesse ali. E, realmente, ela já não estaria, teria se afastado se Marina não a impedisse:
– Débora, espera! Por favor, me ajuda. Eu não dou conta das duas.
Só percebeu o duplo sentido depois, pelo jeito que Débora a fuzilou com os olhos. Levantou as mãos, como quem se rende ou quer mostrar que é inocente. Fez questão de afastar qualquer dúvida que ela pudesse ter:
– Juro que não tem nada de sexual no que eu acabei de falar.
Fez Débora rir, pela primeira vez desde que se conheciam:
– Tudo bem. – Marina também riu, deixando-a à vontade o suficiente para piscar em sua direção, de um jeito que ela mesma achou delicioso, e retribuir a brincadeira: – Vamos levar as gêmeas do barulho pra cama. – O olhar sedutor que Marina lhe lançou fez Débora cair em si. Voltou a ficar séria, foi quase ríspida ao completar: – Nada sexual no que eu falei também.
Durante todo o percurso de carro, Débora se manteve calada ao lado de Marina. Não só por Amanda monopolizar toda a conversa. O excesso de bebida ingerido a fazia enrolar a língua a cada frase, algumas totalmente sem sentido, mas todas compreensíveis para quem sabia ao que se referia. O que mais seria? Michelle. Amanda só falava e pensava nisso.
Estranhamente, Débora não se incomodou, seu desconforto agora estava centrado em outra pessoa. Especificamente na falta de controle que sentia quando estava perto de Marina. Não se considerava uma pessoa romântica. Pelo contrário. Exatamente por isso, o choque de se ver subitamente apaixonada por Amanda só não havia sido maior que a dificuldade de admitir, aceitar e acolher dentro de si mesma o que tinha acontecido com ela – logo ela – algo que considerava completamente impossível e sem sentido: amor à primeira vista.
Quando Amanda correspondeu, de uma maneira direta, sem artifícios, parecia perfeito. Ilusão que não durou. Logo compreendeu que o que sentia não era absolutamente correspondido. O surgimento e a aproximação de Marina tornara tudo pior ainda. Odiava – com todas as forças que possuía e as que sequer tinha ciência de que existiam – a beleza e a sedução inteiramente despreocupadas e inconsequentes da mestranda que considerava uma irresponsável e egocêntrica, exibida, grosseira, vulgar, indecente, ofensiva, infame, desprezível e... e? E.
Sequer encontrava adjetivos pejorativos o suficiente para defini-la.
“Ela realmente tem o poder de me irritar”. Foi a conclusão a que chegou. Não se permitiria mais do que isso.
Marina, por outro lado, permaneceu quieta por motivos igualmente inconfessáveis. Vinha pensando bastante em Débora nos últimos dias. De uma maneira que não queria nem deveria. Tinha jurado para si mesma que nunca mais consentiria maiores envolvimentos. No entanto, existia uma distância infinita e incontrolável entre o que determinava racionalmente para si mesma e o que tê-la ao seu lado lhe despertava. A constância com que ela ocupava seus pensamentos deixava clara a incoerência entre o que pensava e o que sentia.
Tiveram que carregar Juliana para a cama, ela estava praticamente desmaiada. A gêmea adormeceu assim que a deitaram no colchão. Já Amanda estava mergulhada em outro tipo de inconsciência. Passou a mão tanto em Marina quanto em Débora, indiscriminadamente:
– Eu devia ter me apaixonado por vocês duas...
Puxou-as e as abraçou juntas, e elas ficaram coladas também. Tentou beijar Débora que, ao desviar o rosto, acabou encostando os lábios nos de Marina. Completamente vexada, pediu desculpas. Marina não disse nada, apenas fez Amanda se deitar e ordenou, seríssima:
– Agora sossega. Vai dormir.
Não precisou repetir. Amanda sorriu, já de olhos fechados:
– Tá.
Um segundo depois, não estava mais acordada. Marina se virou para Débora e falou a coisa mais inesperada:
– Eu juro que não fiz de propósito. Nunca teria ficado com a Amanda se soubesse que você e ela estavam namorando.
A intenção de Marina não era absolutamente agradar Débora. Estava dizendo a verdade. Seu interesse por Amanda jamais ultrapassara o limite do “naquele determinado momento, na ausência de diversão melhor”. Tinha ficado com ela como ficaria – e ficava – com qualquer mulher bonita disposta a fazer sexo casual. Nunca passaria disso se não tivessem se identificado a ponto de se tornarem o que eram agora: boas amigas. Sentia por Amanda um afeto e uma preocupação fraternais, e mais nada.
Sua sinceridade ficou evidente para Débora, que achou sua atitude admirável. Fez questão de tranquilizá-la:
– Nós não estávamos.
Marina não escondeu a surpresa:
– Eu pensei que...
Débora não a deixou concluir a frase, disse com todas as letras:
– A Amanda nunca foi minha namorada. Nós só ficamos algumas vezes.
Sua confusão passou a ser outra:
– Mas então por que...?
Todo o rancor e a agressividade que Débora jogava sobre ela sempre que se encontravam pareceram subitamente injustificáveis, até ela dizer:
– Me desculpa. Acabei descontando toda a minha frustração em você. – Fez uma pausa, antes de continuar: – Não é culpa sua a Amanda ter me dispensado. Se não fosse com você, seria com outra. Ela não queria ficar comigo. Essa é a verdade.
A experiência de Marina era vasta. Incluía não uma, mas várias desilusões, dores de cotovelo e fracassos:
– Não é fácil duas pessoas se interessarem uma pela outra ao mesmo tempo. Geralmente, a gente se interessa por quem não está nem aí pra gente e não estamos nem aí pra quem está interessada em nós.
O sorriso de Débora pareceu iluminar toda a sala:
– É, tem razão. Olha que coisa mais irônica: eu estava interessada na Amanda e ela estava interessada em você.
A voz de Marina saiu baixa, quase sussurrada:
– Estava? Não está mais?
Sentindo-se estranhamente sem jeito, respondeu:
– Acho que a Amanda está realmente apaixonada pela Michelle.
Foi ofuscada pelo riso deliciosamente divertido de Marina:
– Não estou falando da Amanda. – Ela se aproximou, ficou a milímetros apenas, a boca tão próxima que Débora pôde sentir perfeitamente cada palavra soprada por Marina: – Eu quero saber de você.
Tomada por um nervosismo incontrolável, Débora chegou a gaguejar, falou com muita dificuldade:
– Eu? Eu não estou interessada em ninguém.
Os olhos de Marina cintilaram:
– Que bom, porque eu estou. – Passou a língua nos lábios antes de continuar: – Muito interessada... – A respiração de Débora se alterou, acompanhou a de Marina, em completa sintonia, enquanto ela concluía: – Em você.
Tomou os lábios de Débora nos dela, com uma voracidade intensa e absolutamente arrebatadora. Sua primeira reação foi instintiva e puramente física. Passou os braços ao redor do pescoço de Marina, e correspondeu com a mesma veemência. Levou alguns minutos para ser capaz de pensar e se surpreender, não com a atitude de Marina – era exatamente o que esperava dela – mas com a própria vontade, o prazer que sentiu naquilo. Deixou-se levar, se permitiu desfrutar o ardor que os beijos e carícias despertaram. Teria continuado assim, nos braços dela, inteiramente entregue à languidez trêmula e fremente que ela causou com a boca, com a língua e com os lábios. Foram as mãos, buscando a pele por baixo das roupas, que a trouxeram de volta à realidade. Afastou-as num protesto que saiu sussurrado:
– Calma...
Mas que teve o poder de detê-la. Marina se afastou, apenas o suficiente para sugerir:
– Vamos sair daqui?
A urgência nos seus olhos deixando claro o que pretendia e desejava. Usá-la e se deixar usar. Não que Débora tivesse pudores ou algum empecilho moral que a impedisse, não seria a primeira vez, não tinha nada contra sexo casual. No entanto, naquele momento, não era o que queria, muito menos do que precisava. Já bastava a experiência com Amanda. Mais uma pegação inconsequente em sua vida era totalmente desnecessária. Por mais deliciosa e experiente que Marina fosse – pela perícia ao beijar podia calcular o quanto –, preferiu não aceitar:
– Vou pra casa.
Afastou-se de Marina e pegou a bolsa que tinha deixado sobre a mesa ao entrar. Marina engoliu a própria perplexidade e vaidade, em questão de segundos estava novamente atrás dela, oferecendo:
– Eu te levo.
Débora se virou:
– Não precisa.
Deixando Marina completamente fascinada pelo sorriso e pela recusa recebidos. Segurou sua mão com a mesma doçura com que falou:
– Pensei que tivéssemos ultrapassado essa fase.
Uma simplicidade suave e íntima se estabeleceu. O sorriso de Débora se transformou quase em riso:
– Que fase?
Sem soltar a mão dela, Marina se aproximou, olhando-a de lado, de um jeito provocante e irresistivelmente sedutor:
– De você me odiar e querer distância de mim.
A resposta soou tímida, quase frágil:
– Não é isso.
Marina aproveitou para enlaçá-la pela cintura:
– O que é então?
A respiração de Débora se alterou, ela disfarçou como pôde:
– Não quero te dar trabalho.
O rubor na sua face deixou Marina deliciada. Puxou Débora para si, soprou em seu ouvido, causando arrepios:
– Vai ser um prazer... – Débora se defendeu da única forma possível, colocando as mãos nos ombros de Marina, os braços entre elas, garantindo que os corpos se mantivessem separados. Mas Marina jamais desistiria tão fácil: – Claro que eu preferia te levar pra minha casa... – Desceu os lábios pelo seu pescoço de uma forma que julgava infalível, causando tremores e arrancando alguns gemidos e suspiros antes de sugerir: – O que você acha? – A mudez de Débora a obrigou a insistir: – Vamos?
A insegurança que se iniciara com a ausência do consentimento imediato que Marina tinha como certo aumentou ainda mais quando Débora falou, afinal:
– Não, eu quero ir pra minha casa.
Sem ser capaz de esconder o quanto estava desconcertada, Marina a soltou, deu dois passos para trás e concordou, sem fitá-la:
– Tá. Tudo bem.
Um silêncio desconfortável se estabeleceu entre as duas e se manteve até o momento em que entraram no carro. Antes que Marina pudesse girar a chave na ignição, Débora colocou a mão no seu braço e a chamou pelo nome, de uma maneira tão doce e suave que desarmou Marina completamente. Virou-se para ela sem saber o que esperar. Foi com total perplexidade que viu Débora aproximar o rosto. A mesma com que se deixou beijar, a princípio, com passividade. Quando o beijo se tornou mais e mais exigente, tateou em busca de um contato mais íntimo, da maneira ávida e ousada que lhe era usual. Surpreendeu-se de novo, não só por ter todos os avanços rechaçados, mas por Débora não se afastar nem parar de beijá-la. Apenas segurou e conteve as mãos de Marina, mantendo as carícias num limite comportado. Aquilo a deixou indignada. Bufou, irritadíssima:
– O que você tá querendo?
Débora a olhou profundamente ao afirmar:
– Te beijar.
Com uma sinceridade cristalina, que a fez compreender que não se tratava de uma provocação, afinal. A expressão de incredulidade nos olhos de Marina deu lugar a outra, tão fascinante quanto o jeito que ela confessou:
– Eu queria mais.
A despeito disso, Débora se manteve firme:
– Não estou pronta pra isso. – Fez uma pausa, antes de concluir: – Não precisa me levar, posso chamar um uber.
Não houve hesitação por parte de Marina:
– Uma coisa não tem nada a ver com a outra. – Segurou seu rosto entre as mãos, roçou os lábios nos dela de leve, num último beijo repleto de carinho: – Vamos até onde você quiser. – Depois, se virou para o volante e completou, com um sorriso que Débora achou lindo: – É só me ensinar o caminho.   

AVISO IMPORTANTE: 
 VERDADES PARALELAS foi publicado pela Editora Vira Letra, por isso
SÓ FICARÃO DISPONÍVEIS OS TRÊS PRIMEIROS CAPÍTULOS PARA DEGUSTAÇÃO 

Postado originalmente em 03 de setembro de 2018 às 18h.

CAPÍTULO 02 - POINT OF BEING RIGHT

A primeira coisa que Marina fez quando acordou sozinha em sua cama no dia seguinte foi pensar em Débora. Estava verdadeiramente interessada, como há muito não ficava. Desejava Débora com a força que se cobiça tudo que parece inalcançável. “Passa assim que a gente trepar”, afirmou mentalmente, tentando convencer a si mesma, sem grandes resultados. Voltou a pensar nela, desta vez de uma maneira bem mais carnal. A lembrança dos beijos que haviam trocado foram o bastante para deixar Marina no mesmo estado em que havia chegado em casa na véspera. Sem pensar duas vezes, desceu as mãos pelo próprio corpo, pronta para se resolver sozinha, exatamente como havia feito antes de dormir.
Foi interrompida pelo som do celular, cuja insistência a fez abandonar a ideia de não o atender. Por um instante insano, cogitou a possibilidade de ser quem queria, por mais improvável que fosse. Deixou escapar um suspiro profundo ao ver que era Amanda, e atendeu com um humor ainda mais ácido que o de costume:
– Estás viva?
Amanda não fez rodeios:
– Você e a Débora nos trouxeram aqui em casa? Ou eu sonhei?
Marina fez uma pausa do outro lado, antes de responder:
– Não foi sonho. A Débora me ajudou, tivemos quase que carregar vocês duas. Depois levei ela em casa.
Impossível para Amanda esconder a surpresa:
– E as duas sobreviveram?
A pausa que Marina fez foi ainda maior do que a primeira. E, por fim, acabou dizendo apenas:
– Prefiro não falar mais sobre ontem.
Aquilo causou nela a mais terrível desconfiança:
– Eu fiz alguma coisa da qual devo me arrepender?
A resposta veio de uma maneira absolutamente debochada:
– Deixa eu ver... Você tentou me agarrar, se esfregou em mim em público, insinuou que a Débora é ruim de cama e todo mundo que estava na festa ontem sabe que você pegou uma professora chamada Michelle. Ou melhor, que ela pegou você. Só isso. Nada de mais.
Só havia uma única coisa a dizer:
– Puta merda!
Assim que encerrou a ligação com Marina, ligou para Débora:
– Eu queria me desculpar por ontem. A Marina me falou que...
Débora nem a deixou completar:
– O que ela falou? Com certeza quis contar vantagem!
Confundiu Amanda completamente:
– Como assim? Não estou entendendo...
Sua indignação era tão grande que a impediu de perceber que estavam falando de coisas diferentes:
– Ué, ela não te contou sobre ontem à noite?
Apesar do medo que estava de perguntar, Amanda precisava saber:
– Afinal, o que foi que aconteceu?
O desespero na voz de Amanda fez Débora finalmente compreender que tinha falado demais. Sua primeira reação foi surpresa. Marina não tinha se vangloriado, sequer havia contado. Era algo que jamais esperaria dela. Preferiu não pensar no motivo que a levara a ser tão discreta. Por fim, acabou dizendo:
– A Marina me beijou.
Perante tal revelação, totalmente inesperada, foi impossível para Amanda deixar de perguntar:
– E você não beijou ela de volta?
Óbvio que Débora não iria – não tinha por quê – mentir:
– Beijei, mas... – Uma breve pausa antecedeu o momento em que se permitiu desabafar: – Ah, nós ficamos. No seu apartamento e depois no carro dela. Mas a gente só se beijou.
Sem saber o que era mais inacreditável, Débora e Marina terem ficado ou não terem feito sexo, Amanda só conseguiu dizer:
– Não acredito! – Assim que se recuperou do choque, foi tomada pela mais intensa curiosidade: – Mas como assim? Me conta isso direito! O que você achou? Como é que foi?
Saiu numa explosão:
– A Marina é louca! É uma inconsequente, uma safada que não vale nada! Uma vadia! Uma cafajeste!
Amanda riu:
– Não foi isso que eu perguntei. – Mudou completamente o tom, foi incisiva quando a questionou: – Você gostou ou não gostou?
Débora suspirou, hesitou, mas não negou. Confessou muito mais para si mesma:
– Gostei. – No entanto, aquilo não mudava nem o que pensava sobre Marina, muito menos o que já havia decidido: – Mas não vai acontecer de novo.
Depois que a conversa com Débora terminou, Amanda ligou para Marina outra vez:
– Eu não acredito que você ficou com a Débora ontem e não ia me contar!
Na voz de Marina havia uma tensão e uma ansiedade que não lhe eram habituais:
– Ela te contou? O que ela falou?
Amanda se ateve aos fatos:
– Que vocês ficaram, aqui em casa e no seu carro, mas que só se beijaram.
Deixou escapar um suspiro:
– É. Foi isso.
E se calou, obrigando-a a dizer:
– Tá, mas quero saber mais. – Nem assim conseguiu quebrar o silêncio de Marina. Insistiu: – Como é que foi, o que você achou? Foi bom?
Saiu numa explosão:
– A Débora é muito certinha, toda comportada, colocou limites, tirava a minha mão, e... Não deixou rolar nada, me deu só uns beijos e me cortou.
Chegava a ser engraçado ver Marina daquele jeito. Amanda riu e perguntou, exatamente como tinha feito com Débora:
– Mas você gostou?
Ela não hesitou. Pelo contrário, aproveitou para desabafar:
– Gostei. Mas não fiquei nem um pouco satisfeita.
Era surpreendente:
– Quer dizer então que a Débora te deixou com um gostinho de quero mais?
O resultado tinha sido melhor do que o esperado, pois nunca tinha visto Marina tão desconcertada:
– Eu realmente não quero falar mais sobre isso.
Amanda estava sentada com Juliana, Débora e Bruno no barzinho de sempre quando Marina chegou. Não foi coincidência, a própria Amanda tinha avisado onde estariam, “caso Marina quisesse aparecer”. Algo lhe dizia que não faria mal dar um empurrãozinho nas duas cabeças duras.
Assim que Débora a viu entrando no bar, foi inevitável, sentiu o coração acelerar. Olhou furiosa para Amanda, sabia que era coisa dela. Amanda a ignorou completamente, fingiu que nem percebeu. Marina caminhou diretamente para a mesa em que estavam, mantendo os olhos fixos em Débora, que desviou os dela, visivelmente perturbada. Tomando a reação que obteve como estímulo, Marina rodeou a mesa, cumprimentou um por um: Bruno, Juliana e Amanda. Deixou Débora por último. Segurou-a pela cintura, teve que fazer um esforço imenso para conter a vontade que sentiu de beijá-la na boca. Limitou-se a tocar seu rosto com os lábios, o simples contato causou um arrepio que lhe subiu pela espinha, de um jeito deliciosamente inevitável. Débora, por sua vez, tentou se manter firme, mas foi impossível ignorar a reação que a proximidade lhe causou, estremeceu de forma involuntária quando Marina a beijou no rosto, e novamente quando ela soprou em seu ouvido:
– Não consigo esquecer a sua boca.
Não foi capaz de responder, muito menos de deixar de ruborizar. Indignou-se consigo mesma, com Amanda por ter compactuado com Marina e com a própria, por se sentar grudada nela, sem sequer perguntar se podia. A raiva de Débora aumentou ainda mais ao se deparar com suas colocações. Discordou de tudo que Marina dizia, foi rascante, propositalmente rude e agressiva. Contestou-a, de uma maneira agressiva e irônica, quase ácida:
– Não é todo mundo que tem a necessidade de se exibir. Tem quem prefira não se expor.
A réplica de Marina foi dada no mesmo tom:
– É, tem quem prefira esconder o que faz.
Olhou significativamente para Débora, que sustentou seu olhar, mas não foi capaz de disfarçar o próprio desconforto. Deixou claro que não queria nem iria permitir outra aproximação:
– Tem coisas que é melhor esquecer, fingir que nem aconteceram.
A mensagem foi imediatamente compreendida por Marina. Havia uma mágoa indisfarçável na voz dela quando disse:
– É, acho que é esse o caso. – Antes de se levantar, lançou para Débora: – Vou jogar sinuca na mesa apropriada.
Retirou-se da mesa com um ar abatido, quase magoado, que fez Débora pensar e repensar, e depois se arrepender. A conversa voltou a ser sobre Michelle e a esposa. Débora permaneceu distante, o pensamento longe, incomodada e inquieta. Foi num impulso, movido pelo que realmente sentia – e não pelas falsas verdades que havia dito antes – que anunciou que ia ao banheiro e se levantou, em busca do que desejava.
De onde estava, Marina possuía uma percepção completa do ambiente. Viu perfeitamente quando Débora surgiu, mas fingiu estar concentrada no jogo. Assim que ela atravessou a porta que separava o lado de fora da parte fechada do bar, localizou Marina. Perto da mesa de sinuca, com um taco na mão e um copo de cerveja na outra. Estaria mentindo se dissesse que não a achou deliciosa, sedutora e irresistível. Estava perdida, inteiramente atraída. E, naquela noite, disposta a assumir e usufruir disso. Respirou fundo e caminhou direto para ela, parou na sua frente:
– Acho que precisamos conversar.
Claro que Marina gostou. Na verdade, adorou. Mais uma vez, Débora a surpreendia. Mas o embate anterior a deixara na defensiva:
– Pode falar. Estou ouvindo.
Débora já esperava que Marina se fizesse de difícil. Mais do que isso, compreendia a razão dela estar agindo assim. Tinha dado motivos. Falou de um jeito suave, quase doce, sem nenhum artifício:
– Me diz uma coisa? Por que você veio aqui hoje?
A sinceridade na sua voz fez com que Marina finalmente a olhasse. Foi igualmente honesta:
– Amanda me disse que você estaria aqui. Vim por sua causa. Eu queria te ver. Queria ficar com você. – Um sorriso amargo antecedeu a conclusão: – Mas já entendi que foi só aquilo, não vou insistir. Pode ficar tranquila.
Teria se afastado se Débora não a impedisse, segurando-a pelo braço:
– Espera. – Tirou o copo de cerveja da mão de Marina e o depositou na mesa mais próxima. Fez o mesmo com o taco, antes de afirmar: – Você entendeu errado.
As duas se olharam. Marina em suspensão, imóvel e calada, esperando que Débora desse o próximo passo. E ela não a decepcionou, não se fez de rogada, segurou-a pela cintura e a puxou para si antes de beijá-la. Foi integralmente correspondida, perdeu por completo a noção de espaço, tempo e qualquer outra coisa que não fosse a boca e o corpo dela. Cada respiração, gemido e carícia conduzindo-as a uma necessidade imperativa e inegável, que Débora verbalizou numa confissão deliciosa, quase dentro do ouvido de Marina:
– Hoje eu quero mais do que beijos... – Colou a boca na dela uma última vez, antes de dizer: – Te espero lá fora.
Com um sorriso incandescente, Marina a acompanhou com os olhos até perdê-la de vista. Pelo entusiasmo dos beijos trocados, sabia que a noite prometia. Com a pulsação completamente acelerada e as mãos trêmulas de expectativa, foi até o caixa e pagou duas cervejas antes de sair. Passou pela mesa que a ausência dela fazia parecer vazia, se despediu de Bruno, Amanda e Juliana com um aceno rápido e foi ao encontro de Débora, pronta para se deixar arder e enlouquecer mais ainda.
O que nenhuma das duas imaginava era que a demora de Débora fizera Bruno ir atrás dela, e ele retornara minutos depois para a mesa onde as gêmeas estavam, inteiramente perplexo:
– Gente, tô passada! Vocês não vão acreditar no que acabei de ver! – Completou com o que Amanda já esperava: – A Débora e a Marina estão se pegando lá dentro!
Amanda não disse nada, sabia muito bem ao que ele se referia. Juliana quis ter certeza, já que a expressão tinha duplo sentido, e a primeira coisa que lhe veio à mente parecia impossível:
– Brigando ou se agarrando?
Bruno esclareceu, confirmando que, por mais inconcebível que fosse, era realmente aquilo:
– Aos beijos, no maior amasso!
Teria dado mais detalhes, se Débora não tivesse voltado para a mesa:
– Já vou indo.
Pegou a bolsa, deixou sua parte da conta em dinheiro em cima da mesa, se despediu depressa e saiu mais rápido ainda. Antes que pudessem contar até cinco, Marina passou por eles. Acenou, também aparentando pressa:
– Deixei duas cervejas pagas.
E foi embora também. Não precisava ser um gênio para compreender. Juliana deixou escapar:
– Genteeeem...
Bruno concordou em gênero, número e grau:
– Inacreditável!
Amanda apenas sorriu, feliz pelas amigas. Para ela, não parecia absurdo. Pelo contrário, fazia total sentido.
Assim que entraram no carro, Marina se virou para Débora:
– Pra onde?
A resposta foi imediata:
– Minha mãe tá em casa.
Não havia necessidade de dizer mais nada. Marina foi surpreendentemente gentil, mais pediu permissão do que sugeriu:
– Vamos pra minha casa então?
A concordância sem hesitação fez Marina sorrir de um jeito que deixou Débora inebriada. Depois a beijou de leve nos lábios antes de se virar para a frente, girar a chave na ignição e dar partida no carro.
AVISO IMPORTANTE: 
 VERDADES PARALELAS foi publicado pela Editora Vira Letra, por isso
SÓ FICARÃO DISPONÍVEIS OS TRÊS PRIMEIROS CAPÍTULOS PARA DEGUSTAÇÃO 

Postado em 10 de setembro de 2018 às 18h.

CAPÍTULO 03 - LOST STARS

Estava tudo escuro, o que queria dizer que não havia ninguém em casa, exatamente como Marina esperava. Mesmo assim, pegou Débora pela mão e a levou para o seu quarto. Acendeu a luz e trancou a porta, antes de virar-se para ela. Surpreendeu-se quando ela afastou as alças do vestido que estava usando e o deixou cair, com uma sensualidade irresistível. Ficou alguns segundos admirando seu corpo, saiu quase sem querer:
– Você é muito linda.
Como resposta, Débora apenas sorriu:
– Sua vez. – Marina riu. Em parte, pela expectativa e espanto, em parte de puro prazer. Desabotoou a blusa que estava usando com uma lentidão proposital. Botão por botão, como se a pressa que sentisse não fosse imperativa. Perdeu-se no olhar de cobiça que Débora lhe lançou ao exigir: – Tira tudo.
Obedeceu sem pensar em questionar, muito menos resistir. Avançou para Débora assim que terminou de se despir. Segurando-a pela cintura, colou a boca na dela e a levou direto para a cama, com uma urgência e uma voracidade inequívocas. Débora se deixou conduzir a princípio. Mas, quando se viu deitada de costas no colchão, com Marina encaixada em cima de si, e percebeu que, se permitisse, seria rápido demais e completamente diverso do que pretendia, resolveu fazer o que e como queria. Girou o corpo, trocando de posição com Marina, que não foi capaz de esconder a surpresa. Esperava por tudo, menos aquilo. Estava acostumada e preferia conduzir, mas naquele momento, a vontade e o ímpeto de Débora pareceram muito mais vigorosos, por isso se permitiu ser guiada, com certa restrição a princípio e, aos poucos, conforme as mãos, a boca e a língua de Débora desceram por seu corpo, queimando, despertando e incitando cada pedacinho de pele no caminho, abandonou-se numa entrega inédita, que lhe era quase desconhecida. Gemeu alto, arqueou o corpo, se contorceu de forma inteiramente descontrolada, puxando-a pelos cabelos e gritando seu nome enquanto chegava ao êxtase, com uma rapidez e intensidade que há muito não acontecia.
Permaneceu algum tempo se recuperando, com as mãos na cabeça, o único movimento que a respiração completamente acelerada imprimia. Quando finalmente voltou a abrir os olhos, deparou-se com os de Débora fixos nela. Sentou-se também, ficou de frente para ela, sem saber o que fazer, muito menos o que dizer, fazia muito tempo que não se via assim, despida de todo e qualquer artifício. Apenas sorriu. Segurou seu rosto entre as mãos, com cuidado e carinho. Toda a pressa anterior havia desaparecido. Encostou os lábios nos dela com suavidade, a mesma com que a puxou para si. Beijou-a de uma forma deliciosamente apaixonada, até que a pulsação das duas se tornasse uma e perdessem a noção de qualquer outra coisa além da necessidade de tornar o contato cada vez mais íntimo. De forma igualmente incansável, as mãos de Marina buscaram, acariciaram, desvendaram o corpo de Débora, arrancando uma série de suspiros e gemidos. Com uma das mãos em seu pescoço e a outra enfiada nos cabelos, Débora dançou nos dedos de Marina, acompanhando o ritmo que ela imprimia com um ardor que explodiu numa intensidade que Marina achou linda. Inteiramente fascinada, continuou segurando Débora nos braços, apertando-a com força contra si. Débora ainda estava ofegante ao fitá-la. Marina teve a nítida impressão de que ela ia dizer algo, a boca chegou a se entreabrir. No entanto, nada disse. Apenas se deitou, trazendo Marina consigo. Voltaram a se beijar, os corpos se encontrando de novo, com uma cumplicidade e uma sintonia singulares, como se não fosse a primeira vez que faziam aquilo. Nenhuma das duas quis pensar, apenas se deixaram levar, sentindo profundamente cada beijo, carícia, palavra sussurrada, suspirada e gemida, compartilhando um prazer que foi muito mais do que físico. Depois, ficaram abraçadas, Marina ainda jogada sobre Débora que, por sua vez, só percebeu que continuava agarrada e com o rosto enfiado no pescoço dela quando Marina se apoiou nos cotovelos e se afastou, apenas o suficiente para olhá-la. Havia um brilho quase hipnotizante nos olhos dela. Por um instante que pareceu durar uma vida, Débora se permitiu inebriar pela possibilidade de quebrar os próprios medos e parar de lutar contra o que estava sentindo. Desejo que cresceu ainda mais quando Marina sorriu. Completamente desprovida da indiferença e impessoalidade do sexo que costumava fazer, Marina se inclinou e a beijou. Não conseguiu evitar, seguiu o impulso que a dominou. Desceu o rosto mais um pouco e sussurrou em seu ouvido:
– Débora... – Como se provasse e saboreasse cada sílaba. Respirou, buscando ar, antes de completar: – Você é incrível.
Sentiu o corpo de Débora estremecer logo em seguida. Ergueu o rosto, buscou o olhar dela novamente, e o que viu a fez beijá-la com ímpeto, tentando saciar a vontade de tê-la inutilmente, pois só se tornou melhor e mais veemente a cada vez que repetiram.
Débora acordou cedo, o dia sequer havia amanhecido. Moveu-se devagar e com cuidado para não sair dos braços de Marina que, sem acordar, apertou-a ainda mais contra si. Com o rosto na curva do seu pescoço, Débora aspirou, tentando gravar o cheiro, a textura da pele, o ardor e a sensação deliciosa que a acompanhara durante a noite inteira. Não que fosse preciso, pois nunca, jamais esqueceria.
“Depois da Michelle, você foi a melhor trepada da minha vida”. As palavras que Amanda havia dito para Marina ecoaram em sua mente, exatamente como na véspera. No momento em que, completamente arrebatada após a primeira entrega nos braços dela, olhando nos olhos de Marina, quase havia falado mais do que deveria. Tinha engolido a frase, a emoção, a intenção, repetindo para si mesma: “estamos apenas nos divertindo”.
Preparou-se de novo, exatamente por isso. Conhecia a fama de Marina. Mais ainda: sabia o que esperar da manhã seguinte, pois tinha escutado a experiência não só de Amanda, mas de outras duas gurias da faculdade com quem Marina também havia ficado. Surpreendeu-se por completo quando ela acordou e, ao invés do que esperava – “quando sair bate a porta”, “quer que eu chame um uber pra você?” ou qualquer outra coisa do tipo –, Marina sorriu e, antes de beijá-la, disse:
– Bom dia, linda. – Espantou-se mais ainda ao vê-la se deitar de lado, os olhos nos dela, num silêncio que pareceu durar uma vida. Marina tentou inutilmente compreender e definir o que estava sentindo, mas não estava preparada para admitir ainda. No entanto, viu-se tomada por uma necessidade irreprimível de falar. A despeito disso, foi com muita dificuldade que disse, por fim: – Adorei a noite.
Teria falado mais. Era apenas o ensaio, o esboço, a tentativa de algo que Débora cortou, antes mesmo que surgisse:
– Olha só, Marina... Foi ótimo, mas foi só uma trepada. Por favor, não vamos complicar, ok?
Antes que Marina pudesse replicar ou contestar, Débora se pôs de pé e começou a se vestir. Não podia, não queria, não iria se iludir. A reação de Marina foi puramente defensiva. Xingando a si mesma mentalmente, continuou deitada na cama e perguntou, como deveria ter feito desde o início:
– Consegue achar a porta da rua sozinha?
Amanda não voltou a ver nem a falar com Bruno, Débora e Marina durante o resto do final de semana. Encontrou-os na segunda-feira de manhã. Durante toda a aula, Débora não ergueu os olhos da própria mesa e Marina também não a olhou. Na hora do almoço, Marina chamou Amanda para acompanhá-la a um dos restaurantes do Centro de Convivência. Assim que se sentaram, foi dizendo:
– Você já se interessou por uma pessoa complicada?
Amanda riu:
– Sempre.
Pura verdade. Nenhuma havia sido fácil. Nem mesmo a própria Marina. Aproveitou para sanar a dúvida que durante toda a manhã a tinha preocupado:
– Você não fez nada que envolva táxis e primos com a Débora, fez?
A reação de Marina foi imediata:
– Lógico que não!
Indignação completamente incoerente. Amanda fez questão de lembrá-la:
– Ué, vai saber... Fez comigo.
Na mesma hora, Marina retrucou:
– É completamente diferente.
Fazendo Amanda se surpreender:
– Mesmo? – Ficou curiosíssima: – Diferente como? – Percebendo que já havia dado mais informação do que pretendia, Marina se calou. Mas Amanda não ia desistir: – Você está apaixonada pela Débora?
Óbvio que ela negou:
– Quem falou em estar apaixonada aqui? Que mania que você tem de estar apaixonada! Eu não estou apaixonada, estou interessada na Débora.
No entanto, Amanda não ficou nem um pouco convencida:
– Tá. – Tentou compreender: – Afinal de contas, o que aconteceu? O que você fez?
A última pergunta deixou Marina indignada:
– Por que você tem tanta certeza de que fui eu que fiz algo?
Amanda chegou a rir:
– Quem mais?
A seriedade de Marina fez Amanda começar a acreditar:
– Se quiser mesmo saber, posso te contar.
Sem grandes detalhes, e com uma emoção visível, Marina falou sobre a noite que havia passado com Débora e a manhã seguinte. Quando terminou, Amanda estava perplexa:
– “Foi só uma trepada, não vamos complicar”? Foi isso mesmo que a Débora te disse? –
Mais ainda ao ter a confirmação do inimaginável:
– Sem tirar nem pôr, com todas as letras.
Só lhe restava ser sincera:
– Estou passada.
Felizmente, Marina era Marina, mesmo numa situação como aquela. Ao invés de se lamentar, deu risada, achando graça e debochando de si mesma:
– Antes isso do que: “aqui se faz, aqui se paga”.
O final do semestre mergulhou Amanda num turbilhão de estudo, provas e entregas de trabalhos que foi altamente positivo, pois não tinha tempo para remoer o fato de Michelle visualizar todas as mensagens que enviava sem respondê-las. Administrou como pôde a frustração e o sentimento de rejeição que a consumiam. Na sexta-feira da última semana de aula, Bruno a puxou para um canto durante o intervalo:
– Estou de saco cheio dessa porra!
Sem ter como adivinhar ao que ele estava se referindo, perguntou:
– Do que você está falando?
Ele se exaltou mais ainda:
– De que seria? Débora e Marina.
Durante o mês inteiro, elas tinham se evitado. Quando se encontravam, fingiam uma normalidade que não existia. Para quem via de fora, especialmente para Bruno e Amanda que as conheciam, a tensão entre as duas era evidente. Bem como o fato de só não estarem juntas por medo e teimosia.
– O que você propõe?
Não conseguiu saber se era sério ou brincadeira:
– Embebedar as duas?
De qualquer forma, uma coisa era certa:
– Acho que basta colocá-las na mesma mesa.
Para Bruno também pareceu infalível:
– Então fechou. Eu levo a Débora e você leva a Marina. É hoje!
Débora passou os dias que se seguiram tentando se convencer de que havia feito a coisa certa. Teria conseguido, se não fosse a própria incapacidade de se manter indiferente. Bastava olhar para Marina, toda e qualquer racionalidade desaparecia. Canalizou o que sentia numa animosidade que era inteiramente correspondida. Sempre que se encontravam, brigavam, discutiam, se agrediam. Uma tensão palpável as envolvia, mas nenhuma das duas estava disposta a admitir, mudar ou superar, muito menos resolver aquilo.
Um mês inteiro se passou e Marina teria fugido do convite de Amanda para irem ao bar que deixara de frequentar – pois encontrar Débora lá não era uma possibilidade, mas uma certeza – se a amiga não estivesse tão abatida.
Assim que entraram, Amanda estacou. Bastou seguir seu olhar para saber o motivo:
– Aquela ali é a Michelle, não é?
Ao ter a suspeita confirmada, aproveitou para propor que saíssem dali, mas Amanda se recusou a ir para outro lugar. Sem se intimidar, mostrando uma ousadia que Marina achou admirável, passou quase desfilando na frente de Michelle e se sentou propositalmente ao alcance da vista dela. Foi exatamente isso que inspirou e encorajou Marina a permanecer sentada na mesa quando Bruno e Débora surgiram.
A primeira pessoa que Débora viu ao entrar no bar foi Marina. Seu olhar foi atraído pelo dela da maneira inevitável de sempre. Foi exatamente isso que a fez se virar de volta em direção a porta. Teria saído, se Bruno não a impedisse:
– Que isso, guria? – Ele parecia verdadeiramente perplexo, tanto que continuou segurando-a pelo braço ao afirmar, com uma seriedade que não lhe era costumeira: – Nunca te vi agir assim. – Débora permaneceu calada, pois, para ela, naquele momento a verdade era indizível. Estava irreversivelmente apaixonada por Marina. Bruno pediu: – Por favor, fica. – A mudez da amiga o fez insistir: – Por mim?
Sem imaginar que o que a fez concordar foi a percepção de que o maior de seus pavores já se encontrava instalado dentro de si, o carregaria aonde quer que fosse, não adiantava fugir.
Quando Débora se virou em direção à porta, Marina conteve a todo custo o impulso que teve, de se levantar e impedi-la. Ou segui-la. Surpreendeu-se quando ela não foi embora, mais ainda ao vê-la caminhar com Bruno em direção à mesa onde estava com Amanda, e sentar-se em sua frente. Os olhos das duas se cruzaram rapidamente, antes de Débora desviar sua atenção para a amiga. Falou baixo, quase sussurrando, para que somente as pessoas sentadas naquela mesa ouvissem:
– É a Michelle ali? Ou estou confundindo?
Amanda fez que sim, e Bruno completou:
– Ganhou pra hoje, miga. Ela não tira os olhos daqui.
Como se estivesse enfeitiçada, ou como se nada mais existisse, Amanda voltou a acenar com a cabeça, sem desviar os olhos de Michelle. Partiu de Bruno a iniciativa de chamar o garçom e pedir mais dois copos e outra cerveja. E de Marina tentar puxar conversa. Não fez rodeios, foi direto ao que a estava consumindo:
– Vocês sabiam que nós estávamos aqui?
A resposta de Débora foi imediata:
– Claro que não!
A mudez inédita de Bruno não fez diferença alguma, Marina continuou, como se ele não existisse:
– Se você soubesse não teria vindo, não é?
Débora tentou manter um mínimo de cordialidade na voz, mas não conseguiu:
– Que diferença faz pra você?
Esperava tudo, menos o que Marina disse:
– Mais do que você imagina.
Os olhos se encontraram e, durante um instante ínfimo, Débora chegou a pensar ter visto algo que julgava impossível. Pois era óbvio que não era correspondida. Nunca. Jamais. Não por Marina. Constatação que a deixou com mais raiva ainda:
– Por que você sempre faz isso?
Marina não estava sendo irônica, estava realmente tentando compreender:
– Isso o quê?
Mas Débora tomou o questionamento como deboche:
– Me provoca e me agride.
Levando em conta a rudeza com que estava sendo tratada há dias, Marina falou a única coisa que a perplexidade em que se encontrava permitiu:
– Eu?
O volume da voz de Débora subiu:
– É.
O de Marina baixou, deixando o sarcasmo mais evidente ainda:
– Sou eu que estou te agredindo?
Débora então gritou:
– Você mesma!
Aquela foi a gota d’água para Marina. A risada que deixou escapar saiu tão amarga quanto a forma como disse:
– O que foi que eu fiz? Me diz!
Havia na voz de Débora um desespero inequívoco:
– Por que você não me deixa em paz? Já conseguiu o que queria! O que mais você quer de mim?
Sentindo algo que não soube definir, mas que a atingiu tão forte e profundamente que tornou inviável continuar ali, Marina pegou a bolsa e pôs-se de pé:
– Quer saber? Pode continuar fingindo que não aconteceu nada entre nós e que eu sequer existo.
Depois se afastou, pronta para ir embora. Débora não pensou, agiu por instinto, levantou num impulso e praticamente correu atrás dela:
– Espera! Marina!
Ao ouvir o próprio nome, parou e se virou para Débora:
– Eu não quero mais discutir.
A frase soou quase como um apelo, de uma fragilidade que Débora jamais esperaria, e que impulsionou o que veio a seguir:
– Me desculpa.
A mágoa que Marina tinha guardado com tanto cuidado durante dias transbordou:
– Eu só queria saber porque você tem tanta raiva de mim. – Antes que ela pudesse responder, completou: – É por causa da Amanda? Ainda?
Foi de um jeito suave, doce, repleto de carinho, que Débora contestou:
– Não seja ridícula.
Marina mordeu o lábio inferior, sacudiu a cabeça em negação, mas se viu incapaz de disfarçar o que estava sentindo:
– Eu não tenho como evitar. Será que você não vê?
Apesar de estar transparente, absolutamente nítido, Débora não conseguiu acreditar:
– O quê?
Olhando-a nos olhos, Marina sorriu. Disse com todas as letras:
– Estou totalmente apaixonada por você.
Com a mesma entrega e sinceridade, Débora deixou claro que correspondia:
– E eu por você.
Puxou Marina para si, a beijou assim que terminou de pronunciar a última sílaba, e nenhuma das duas viu o que se seguiu.
Movida pelos olhares incessantes que Michelle lançava para ela, Amanda deu sua cartada mais ousada e derradeira. Levantou encarando-a e, por um segundo decisivo, a impressão de que naquele bar só existiam as duas foi reforçada pela música que tocava, com uma precisão de trilha sonora de filme: “I feel you, your sun it shines. I feel you within my mind”1. Depois de lançar um olhar significativo para Michelle, se dirigiu para o banheiro. No entanto, nunca, jamais, nem em seus mais loucos devaneios esperaria que Michelle realmente fosse atrás dela. Depois de dias e dias de silêncio, parecia inacreditável. Irreal. Impossível. Permaneceu muda e imóvel, praticamente em choque ao ver a porta do banheiro se abrir e ela surgir. Michelle não falou nada, foi sem uma palavra que avançou, segurou o rosto de Amanda entre as mãos e colou a boca na dela. Era tudo que Amanda queria. Esquecendo todo o resto, correspondeu com a mesma intensidade irrestrita, deixou-se puxar para dentro de um dos reservados e, com Michelle comprimindo-a contra a parede, entregou-se ao prazer de seus beijos e carícias. Foi somente quando a sentiu erguer seu vestido, a mão ávida pronta para ultrapassar a barreira da calcinha, que Amanda saiu do quase transe em que se encontrava e protestou:
– Não, assim não... Para... Espera...
Michelle a soltou imediatamente, a voz repleta de culpa, vergonha e arrependimento:
– Me desculpe, eu... Nem perguntei se você queria...
Amanda não permitiu que ela se afastasse nem deixou margem para dúvida:
– Eu quero. – Puxou-a pela cintura, colou os corpos novamente. Passou os lábios pelo seu pescoço enquanto a fazia compreender: – Mas não esperei mais de dois meses pra você me comer dentro de um banheiro de bar.
Amanda aproveitou o silêncio e a imobilidade de Michelle para tomar a iniciativa. Segurou-a pela nuca e a beijou, com uma veemência que deixou as duas sem ar. Soltou-se logo depois. Antes de sair, soprou:
– Espero por você no meu apartamento.

AVISO IMPORTANTE: 
 VERDADES PARALELAS foi publicado pela Editora Vira Letra, por isso
SÓ FICARÃO DISPONÍVEIS OS TRÊS PRIMEIROS CAPÍTULOS PARA DEGUSTAÇÃO 

Postado em 17 de Setembro de 2018 às 18h.