segunda-feira, 3 de setembro de 2018

CAPÍTULO 18 – TUDO SOBRE VOCÊ


MÚSICA QUE INSPIROU O CAPÍTULO:


Ao sentir os tremores no corpo de Mirella, Amanda aumentou a velocidade e a intensidade da língua e dos dedos no sexo dela. Com as mãos enfiadas nos cabelos de Amanda, Mirella chamou-a num gemido, fazendo com que Amanda a olhasse, sem parar o que estava fazendo. Quando os olhos se encontraram, Mirella atingiu o orgasmo mais fantástico de toda a sua vida. A  satisfação e o prazer de Amanda não poderiam ser maiores. Nem mesmo a repetição contínua daquele desfecho nos últimos dois dias fazia com que o momento se tornasse menos pleno. 
Estavam isoladas do mundo, trancadas no apartamento de Mirella desde a chegada de Amanda na sexta-feira, o que não desagradava a nenhuma das duas, pelo contrário. Tanto para Mirella quanto para Amanda, não poderia ser mais perfeito.
- Vem aqui, meu amor...
Pedido que foi imediatamente atendido. Amanda se ajoelhou no sofá - com Mirella entre suas pernas – e as duas se abraçaram e se beijaram apaixonadamente. As bocas se separaram em busca de ar alguns minutos depois e Mirella aproveitou para avisar: 
- Seu celular não para de apitar.
Fazendo Amanda se surpreender, pois não tinha absolutamente escutado. Depois de um beijo rápido nos lábios de Mirella, se pôs de pé e caminhou até a mesa onde o aparelho estava, ao lado dos pratos e talheres ainda sujos do almoço de horas atrás. Apesar de lhe ser absolutamente inédito ficar tanto tempo longe do celular, justificou o fato de verificá-lo:
- Pode ser algo urgente.
Em tão pouco tempo, Mirella já sabia perfeitamente do que se tratava: a mãe de Amanda mandava milhares de mensagens e ligava mais de uma vez por dia. Coisa que considerava normal, levando em conta a idade, ou melhor, a pouca idade que Amanda tinha. Da mesma forma, compreendia o motivo de Amanda omitir a verdadeira razão de sua preocupação em conferir o celular. No lugar dela, faria o mesmo. Levantou do sofá, pegou a louça e levou-a para a pia:
- Tudo bem, linda. Vou aproveitar pra dar um jeito nisso aqui.
Ao ver que não havia nenhuma mensagem nem chamada de Elaine, apenas de Débora e Marina, Amanda protestou:
- Não, deixa aí, é a minha vez de lavar a louça!
A recusa de Mirella foi imediata e incontestável:
- Nem se dê ao trabalho, vou colocar tudo na máquina.
Tratou então de recolher as embalagens do delivery do restaurante. Amassou as vazias e olhou incerta para as que ainda continham restos de comida: 
- Vai tudo fora?
Dúvida que Mirella sanou rapidamente:
- Sim.
Jogou os recipientes no lixo antes de voltar a mexer no celular. Pelas mensagens de texto que Marina e Débora tinham enviado no whatsapp, já fazia ideia do conteúdo das de áudio, mas ouviu assim mesmo:
- Tás viva? Imaginamos o motivo do seu sumiço, mas pra não ficar nenhuma preocupação ou dúvida...
- Se você não foi abduzida, vendida como escrava sexual nem nada do tipo, mande notícias, please!
Após ligar a máquina de lavar louça, Mirella se virou de novo para Amanda:
- Suas amigas são ótimas.
Amanda levantou a cabeça, olhou para ela e sorriu de volta:
- É, são mesmo. 
O suficiente para que Mirella não resistisse. Venceu rapidamente a distância que as separava, puxou Amanda para si e, enlaçando-a pela cintura, a beijou de uma forma que expressava com perfeição o estado em que se encontrava: inteiramente apaixonada. Foi imediata e integralmente correspondida. 
Quando as bocas se separaram, algum tempo depois, Amanda colou o rosto no de Mirella, a abraçou com mais força ainda e deixou escapar um suspiro que não exprimia nem uma parte ínfima da felicidade, encantamento e prazer em que estava mergulhada nos últimos dias. 
Soprou com uma espontaneidade quase pueril:
- Se isso for um sonho eu não quero acordar nunca...
Mirella riu, igualmente arrebatada, achando aquilo, como tudo que vinha dela, absolutamente lindo. Beijou-a de leve nos lábios antes de puxá-la pela mão em direção ao sofá, onde se acomodaram bem juntinhas.
Enquanto Mirella ligava a TV e trocava os canais em busca de algo para assistirem, Amanda mandou uma mensagem de texto para Marina: “estou muito mais do que bem, na casa da Mirella, podem ficar tranquilas.”
Não esperou muito pela resposta: “queremos detalhes da quarentona magia” seguido de vários emojis de risos. 
Com a mesma rapidez com que retrucou: “perfeição define”, recebeu a réplica: “hohoho... vamos conferir isso”. Logo em seguida, Débora enviou: “hj mesmo, q tal?”
O silêncio que se seguiu deixou claro, muito mais para Amanda do que para as amigas, do quanto ela temia e preferia adiar aquilo. 
Enquanto Amanda estava focada no celular, Mirella manteve sua atenção onde estivera durante os últimos dias: nela. Por isso percebeu a mudança com facilidade. Ergueu a mão esquerda e a tocou carinhosamente no rosto:
- O que foi?
Amanda olhou para ela e sorriu. A primeira resposta que lhe veio à cabeça foi: “nada”. Afastou-a de imediato e foi sincera:
- Marina e Débora querem sair com a gente hoje.
Suficiente para que Mirella compreendesse. Exatamente por isso, indagou:
- E isso é, de alguma forma, um problema?
O questionamento soou leve, franco e descomplicado, como tudo que vinha de Mirella. À Amanda só restou sorrir ainda mais:
- Não, de jeito nenhum.


E realmente foi simples, sem dificuldade alguma. Exatamente como a ida ao bar com Marina, Débora e Bruno, o jantar na casa de Cris e Maria na noite seguinte fluiu maravilhosamente bem, sem qualquer aborrecimento ou adversidade, muito pelo contrário. A aceitação dos amigos e a integração de dois mundos tão distintos se deu com uma facilidade rápida e natural, que tanto Amanda quanto Mirella atribuíam ao que era de fato: a felicidade inequívoca das duas por estarem juntas. 



O último obstáculo era o mais terrível para Amanda. Evitou enfrentá-lo durante dias, que se tornaram semanas, que rapidamente completaram um mês, até que se viu obrigada a contar para a mãe, pois o aniversário dela se aproximava e queria ir acompanhada. Por Mirella, claro.
A reação de Elaine foi ainda pior do que Amanda esperava. Terminou a conversa desligando o celular após dizer:
- Estou indo para Florianópolis agora, daqui a algumas horas estou aí.
Soou muito mais como ameaça do que qualquer outra coisa. Amanda continuou parada, sem saber o que fazer, até Mirella sair do banheiro, enxugando os cabelos molhados com uma toalha:
- E então? Como foi?
Tinha entrado no banho exatamente para dar espaço para Amanda poder conversar com a mãe dela. Bastou um único olhar para que percebesse:
- Tão mal assim?
Havia um pavor que considerou plenamente justificável na maneira que Amanda informou:
- Preciso ir pra casa, minha mãe está vindo pra cá.
Sem hesitação alguma, Mirella abriu o armário e falou:
- Deixa só eu me vestir.


A surpresa não foi Mirella levá-la, mas a oposição quando Amanda tentou se despedir assim que ela estacionou o carro na frente da portaria do prédio.
- Vou ficar com você.
Tentou protestar, inutilmente:
- Amor, não precisa, você...
Mirella sequer a deixou completar:
- Meu amor, já está mais do que na hora de sua mãe e eu nos conhecermos.
Apesar do tom carinhoso e suave, a afirmação continha tanta firmeza e convicção que se tornou impossível para Amanda sequer cogitar a possibilidade de recusar.



As horas que se passaram antes de Elaine chegar pareceram intermináveis, mas Amanda tinha plena consciência de que seria pior se estivesse sozinha. A serenidade de Mirella fez com que se sentisse segura e confiante, como nunca se sentira antes em outra relação. Quando a mãe finalmente destrancou e abriu a porta, segurou a mão de Mirella, que se manteve a seu lado com um sorriso que Amanda achou lindo e que a fez sorrir também.
Elaine não esperava nem a presença da namorada da filha, muito menos ser recebida com sorrisos. A surpresa a desarmou completamente, avançou em direção às duas com uma hesitação evidente. Beijou e abraçou Amanda que, sem mais delongas, as apresentou:
- Mãe, essa é a Mirella. 
Mirella estendeu a mão direita:
- Como vai?
E Elaine aceitou o cumprimento, sem disfarçar o quanto estava ressabiada e contrariada com a situação:
- Como vai?
Respirou fundo e jogou toda e qualquer cortesia, formalidade ou cerimônia para o espaço. Afinal, era da felicidade da filha que se tratava:
- Mirella, vou ser muito franca. Eu não tenho como estar satisfeita ou de acordo com esse namoro de vocês. Não é a primeira vez que a Amanda se diz apaixonada por uma mulher mais velha e eu não vejo como isso pode dar certo. Na verdade, acho inaceitável, um absurdo mesmo. Você tem a minha idade, você poderia ser mãe dela.
O tom que Mirella usou foi ponderado: 
- Poderia, mas não sou.
Inteiramente oposto ao de Elaine:
- Ela é uma criança!
Não havia nem ironia nem provocação no sorriso que Mirella foi incapaz de conter:
- Pra você, talvez. Pra mim ela é uma mulher. 
Direcionou a última frase para Amanda:
- Maravilhosa, por sinal.
Ao ver a filha corresponder, com um olhar igualmente apaixonado, de pura e profunda admiração, a preocupação de Elaine aumentou ainda mais: 
- O que eu quero entender é o que você pretende com essa relação.
O questionamento fez com que Amanda finalmente intervisse:
- Mãe, agora chega. Você já ultrapassou todos os limites.
Mirella achou lindo ver Amanda defendendo-a, a amaria ainda mais depois disso, se fosse possível. Segurando-a nos braços com delicadeza, a olhou nos olhos: 
- Meu amor, a dúvida da sua mãe é totalmente pertinente. 
Amanda esqueceu-se de tudo, perdeu-se na profundidade daquele olhar. Enlaçou Mirella pela cintura e tentou resguardá-la: 
- Você não precisa...
Com o rosto de Amanda entre as mãos, Mirella sustentou o olhar, o medo e todas as expectativas dela:
- Não, eu não preciso, eu quero responder.
Virou-se para Elaine e disse com todas as letras:
- Eu amo a sua filha. Quero compartilhar a minha vida com ela.
A felicidade de Amanda não poderia ser maior nem mais plena, sequer se importou com a objeção exaltada da mãe:
- Vocês só estão juntas há um mês!
Mirella também não se abalou:
- E quanto tempo precisa? Pra sentir e saber o que eu sinto? 
Voltou a capturar o olhar de Amanda no dela antes de completar:
- Desde a primeira vez que eu coloquei os olhos em você.
Flutuaram juntas, inteiramente em uníssono, na plenitude do sentimento partilhado:
- Eu também.
O enlevo em que as duas mergulharam, como se nada mais no mundo existisse, levou Elaine ao auge da indignação:
- A Amanda agir como adolescente é o esperado, ela é adolescente mesmo. Mas você... Uma mulher adulta, que já passou dos quarenta! Não parou pra pensar racionalmente? Diz que quer compartilhar a sua vida com a minha filha? O que restou, né? Porque a Amanda está só iniciando a dela e daqui a dez anos você...
Mais uma vez, com uma força, uma confiança e uma tranquilidade que Mirella considerou perfeitas, Amanda teve coragem de discordar da mãe:
- Não sabemos se estaremos vivas amanhã, imagina daqui a dez anos. Eu não vou deixar de viver o presente por medo de um possível não futuro. 
Elaine deixou escapar num suspiro de exasperação:
- Amanda, essa sua visão imediatista só mostra o quanto você ainda é imatura.
Foi a vez de Mirella divergir:
- Pelo contrário, a Amanda tem razão. O que importa é o aqui e agora, ter a certeza de que farei tudo que puder, que darei o meu melhor durante o tempo que estivermos juntas. 
Nem Mirella nem Elaine compreenderam quando Amanda se afastou e caminhou em direção a própria bolsa. O entendimento só veio quando ela estregou uma pequena caixa de papel azul para Mirella:
- Estava esperando pelo momento certo.
A risada de Mirella foi tão autêntica e sincera quanto ela. Ecoou enquanto pegava uma caixinha preta aveludada, que ofereceu para Amanda:
- Estou andando com isso na minha bolsa há alguns dias. 
Sob o olhar perplexo de Elaine, abriram as caixas, revelando seus conteúdos: dois pares de alianças, as de Amanda de prata e as de Mirella de ouro branco, já que nenhuma das duas gostava de dourado.
A empolgação de Amanda a fez ignorar completamente a presença da mãe. Passou os braços ao redor do pescoço de Mirella e a beijou nos lábios. Depois, falou no ouvido dela:
- Eu te amo.
Como resposta, Mirella soprou:
- Também te amo.
Absolutamente lívida, Elaine não fez nem disse nada. Esperou até que as duas a olhassem de novo. Só então falou, diretamente para Mirella:
- Você vai sustentar a minha filha?
Não houve hesitação alguma por parte de Mirella:
- Isso não seria problema pra mim.
Entretanto, o alvo de Elaine era outro. Sabia exatamente como e onde atingi-lo. Na mesma hora, Amanda contradisse:
- Mas seria pra mim.
Para Amanda, aquilo faria com que a relação se tornasse completamente desigual e, por isso, era inadmissível. Mirella até compreendia o receio e a recusa dela, mas não tinha como concordar:
- Amor, dinheiro não importa, é besteira.
Exatamente como Elaine esperava, Amanda contrapôs:
- Dinheiro não importa e é besteira pra quem tem. Não é o meu caso.
Mirella tentou compreender:
- Mas então, essas alianças...?
Só então Amanda percebeu que deveria ter explicado desde o início:
- São anéis de compromisso. Alianças de namoro.
Arrependeu-se assim que terminou de indagar:
- O que você pensou que fosse?
Pois já sabia qual seria a resposta:
- Achei que a sua intenção fosse igual à minha.
O que não esperava, jamais poderia prever, era que Mirella se mostraria tão maravilhosamente passional ao afirmar:
- Eu quero me casar com você.
Isso não fez com que Amanda voltasse atrás, nem que deixasse de ser sensata:
- Eu também quero, mas não agora, não desse jeito. Eu preciso me formar primeiro.
Estava impressa na voz de Mirella que o equilíbrio entre as duas estava arranhado:
- Quatro anos, não acha que é muito tempo?
Da mesma forma, a sensação de perfeição tinha se apagado para Amanda:
- Acho que não devemos nos precipitar.
Satisfeita com a semente de discórdia que plantara com um simples choque de realidade, Elaine se deu ao luxo de se retirar:
- Bom, eu vou pra casa.  
Beijou a filha, cumprimentou Mirella com um aceno de cabeça e, com um sorriso vitorioso nos lábios, deixou as duas envolvidas em seu primeiro embate.

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Postado em 07 de novembro de 2018 às 18h.

Um comentário:

  1. Mtas vezes dizemos q as amizades são a família q escolhemos e q nos acolhem no infortúnio e na felicidade.
    A atitude de Elaine e as reações dos amigos ao serem apresentados ao casal fala exatamente isso, família é a q escolhemos.
    Amei o cap... ficou maravilhoso.

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