segunda-feira, 3 de setembro de 2018

CAPÍTULO 14 - ADD IT UP


MÚSICA QUE INSPIROU O CAPÍTULO:



Amanda não olhou para Mirella, sequer se virou. Enquanto abria o local indicado, pegava a colher, a mergulhava dentro da xícara e mexia o café tentou controlar-se... Inutilmente. Com o coração e a pulsação totalmente acelerados, perguntou ainda de costas:
- Quer café?
A resposta foi dada bem perto, à centímetros de Amanda apenas:
- Eu mesma me sirvo. Obrigada.   
Cruzaram-se, trocando de lugar no espaço apertado, compartilhando a mesma preocupação, o mesmo cuidado de não se encostarem. 
Naquele momento, Amanda sabia que o melhor a fazer era voltar para o quarto de Flora. Era o que teria feito se, com um ronco alto, o estômago vazio não fizesse questão de lhe lembrar que estava morrendo de fome.
Mirella foi rápida, apenas se serviu de café e o tomou puro. Virou-se para Amanda e informou:
- Tem pão na cesta do seu lado e manteiga, queijo e requeijão na geladeira.
Impossível para Amanda deixar de pensar: “Droga! Ela ouviu...”
Ruborizou de vergonha, não pelo fato em si, mas por ser ela, logo ela, a escutar o som constrangedor. 
Percebeu que tinha ficado ali, imóvel e muda durante mais tempo do que pensava, ao ver Mirella pousar a xícara que tinha nas mãos - já vazia - na pia e propor com uma impaciência perceptível: 
- Quer que eu pegue pra você?
Antes que Amanda pudesse responder, Mirella atravessou a cozinha, abriu a geladeira, pegou uma variedade de potes e os colocou em cima do balcão. Ato contínuo, abriu as portas do armário de louça e pegou dois pratos pequenos.
A última coisa que Amanda queria era dar a impressão de ser uma inútil que precisava ser servida. Ensaiou um protesto:
- Você não precisa...
Que foi prontamente interrompido:
- Você não sabe onde as coisas estão, sabe?
Não havia gentileza alguma na forma que Mirella falou. Pelo contrário, a pergunta soou quase ríspida. Amanda não conseguiu esconder, estava nitidamente ressentida ao responder:
- Não.
Mirella não se desculpou, mas também não se mostrou imune à reação dela. Mudou completamente o tom, concluiu de uma forma delicada e gentil:
- Então fica aí sentadinha.
Piscou e sorriu para Amanda e na mesma hora foi correspondida.
Assim que Mirella se virou, de costas para ela, Amanda caiu em si. 
“O que eu estou fazendo?”
Foi a única coisa que conseguiu pensar antes de Mirella voltar, com garfos, facas e colheres que dividiu entre as duas. Sentou em um dos bancos altos - do outro lado do balcão, de frente para Amanda - e manteve a atenção na tarefa de preparar e comer um sanduíche. Amanda aproveitou para fazer o mesmo, aliviada pelo fato de suas mãos estarem firmes, só estava tremendo por dentro, não era visível. 
Surpreendeu-se quando Mirella deixou a faca que estava usando cair no chão. O nervosismo a fez rir e dizer a primeira coisa que lhe veio à cabeça:
- Elas devem estar chegando.
Apenas com o olhar, Mirella deixou claro que não compreendeu, obrigando-a a explicar a superstição que considerava notória:
- Quando cai um garfo no chão é porque está chegando um homem. Quando cai uma faca, é porque está chegando uma mulher. Ou duas, como é o caso.
Olhando-a nos olhos, Mirella sorriu:
- E quando cai uma colher?
Amanda devolveu o olhar e o sorriso:
- Agora você me pegou.
Mirella riu e a corrigiu, de uma maneira bem-humorada, sem nada de didático ou superior na forma que falou:
- Deixar uma colher cair significa que uma mulher vem te visitar. 
Fez uma pausa antes de completar, sem desviar os olhos dos de Amanda:
- Deixar cair uma faca... Briga entre as pessoas da casa.
Simulou uma expressão de medo, o que as fez rirem juntas. Amanda ainda estava sorrindo quando falou:
- Você não tem a menor cara de quem acredita nisso.
O olhar que Mirella lhe lançou fez Amanda perder o fôlego:
- Não? 
Com um sorriso que Amanda achou deliciosamente malicioso e sedutor, Mirella apoiou o cotovelo esquerdo no balcão, projetou o corpo para a frente, encostou o dedo indicador debaixo dos lábios e lançou: 
- Eu tenho cara de quê?
Durante um instante que pareceu infinito, as duas se olharam, profunda e perigosamente. Amanda dividida entre a necessidade de esconder a verdade absolutamente inconfessável e a vontade de saber o que Mirella faria se soubesse o que e como pensava sobre ela. A primeira opção venceu com facilidade. Pôs-se de pé, numa tentativa de fugir da intensidade do que, com um simples olhar, aquela mulher conseguia causar:
- Eu lavo a louça.
Mirella se levantou do banco em que estava sentada também:
- Não, deixa aí que eu lavo.
Mas Amanda foi muito mais rápida, já tinha juntado os talheres e os pratos sujos:
- Como não sei onde ficam as coisas, eu vou lavar.
Diante de tal argumento, só restou à Mirella concordar. Ergueu os braços, em rendição:
- Ok, ok. Você lava, eu enxugo e guardo.
De costas para Mirella, Amanda não pôde ver, mas sentiu perfeitamente o olhar dela acompanhando-a o tempo inteiro. Assim que terminou e se virou, teve a confirmação de que a impressão estava correta ao deparar-se com Mirella a alguns passos de distância apenas, com toda a sua atenção fixa nela.
Sem desviar o olhar, Mirella estendeu um pano de prato para Amanda que, inteiramente sem graça, abaixou um pouco a cabeça e enxugou as mãos nele. Quando voltou a erguer os olhos, encontrou os dela de novo. Sem saber o que fazer, largou o pano em cima da cadeira mais próxima:
- Eu vou lá pra dentro.
Teria fugido, se Mirella não a impedisse, segurando-a pelo braço com a mesma firmeza com que disse:
- Nós vamos fingir que não está acontecendo nada?
Impossível para Amanda deixar de estremecer com o toque em sua pele que, para ela, de simples e banal não tinha nada, tanto que a deixou toda arrepiada. Evitando o contato visual - com certeza a entregaria ainda mais -, respondeu:
- Não estou entendendo.
Mas era inegável. Na verdade, palpável o calor e a tensão entre as duas, estava nitidamente impresso tanto no rubor das faces e dos lábios de Amanda quanto no tremor na mão e na voz de Mirella:
- Está sim. Nós não vamos falar sobre isso?
Sentindo-se perdida, Amanda olhou para Mirella, enfim:
- Você quer falar sobre o quê?
Quando os olhos se encontraram, as duas foram tomadas pela percepção do quanto estavam próximas, separadas apenas por milímetros. O olhar de Mirella desceu para a boca de Amanda, fazendo as respirações se alterarem ainda mais. Amanda entreabriu os lábios, em busca de ar, num convite inconsciente, para Mirella tão evidente quanto irrecusável.
Beijou-a com vontade, liberando todo o desejo reprimido e Amanda correspondeu com o mesmo ardor. Incapaz de pensar no que aquilo significava, aonde poderia levá-las ou no que poderia resultar, entregou-se por inteiro ao prazer quase desesperador que estar nos braços de Mirella lhe proporcionou. 
Foi Mirella quem interrompeu o beijo. Afastou o rosto apenas o suficiente para olhar para Amanda e soprar:
- Sobre isso.
Aquilo fez com que Amanda recuperasse o controle, a razão e, principalmente, a consciência de que, por mais que estivesse atraída por aquela mulher, era uma completa desconhecida. Não fazia a menor ideia do que ela pensava, queria e pretendia. Questionou-a:
- E a Paola?
A resposta foi dada sem hesitação alguma. Direta, objetiva e de uma franqueza quase ofensiva:
- É um problema meu. O nosso assunto é esse aqui.
A comparação foi imediata e inevitável, pois parecia muito com o que tinha ouvido de Michelle depois da primeira vez que tinham transado: “Não tem nada a ver com você. Tem a ver com a minha relação com ela.”
Completamente indignada, Amanda se soltou. Sabia perfeitamente o que aconteceria, já tinha vivido e sofrido tudo aquilo e não pretendia cometer o mesmo erro. Usou toda a determinação e toda a raiva que estava sentindo para afirmar:
- Eu não quero ter assunto nenhum com você.
Mirella respeitou a distância física que Amanda colocou entre elas, não tentou tocá-la nem forçou qualquer tipo de aproximação. Apenas constatou, da maneira mais implacável e inexorável possível:
- Já tem.
Qualquer tentativa de discordar seria patética, no mínimo. Por isso, Amanda não fez nem disse mais nada antes de ir para o quarto de Flora, onde trancou a porta atrás de si.


Não ficou muito tempo sozinha com os próprios pensamentos, Flora chegou alguns minutos depois. No entanto, Amanda já estava decidida.
Não foi fácil ver Flora chorando, pedindo uma nova chance e querendo motivos. Amanda nunca tinha terminado com ninguém, mas sabia como era estar do outro lado, perdendo uma pessoa com quem ainda se queria estar. Tentou ser amável e carinhosa, como Rafaela e Michelle haviam sido e, sentindo na própria pele, acabou percebendo que, ao contrário do que pensava, tinha sido penoso e doloroso não só para ela, mas para as duas ex também. 
Depois de arrumar suas coisas o mais rápido possível, despediu-se de Flora. Abraçou-a com força, beijou-a no rosto com carinho, numa tentativa última de deixar claro que era mesmo o fim, não havia mais nada a ser dito. 
Flora parecia conformada quando a acompanhou, mas assim que chegaram na porta da rua, se agarrou no pescoço de Amanda e começou a soluçar, sem se importar com o fato de Paola e Mirella estarem ali, presenciando tudo. Absolutamente constrangida, Amanda só conseguiu se soltar com ajuda das duas. Paola levou a filha para fora da sala, deixando Amanda e Mirella à sós. Durante um segundo que pareceu durar uma vida, as duas se olharam, no mais profundo e significativo silêncio.
Antes de ir embora, Amanda fez questão de deixar claro:
- Considere o “nosso assunto” encerrado também.

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Postado em 24 de outubro de 2018 às 18h.

3 comentários:

  1. Amanda... girina, sossega esse facho.
    Quem ela quer enganar? Foi só colocar o olho em Mirella q já começou a babar. Traição não é apenas o ato, mas as intenções tb. E do momento q ela colocou o olho em Mirella já tava escrito q Flora dançaria. Sinto mto por ela, mas tava claro q não era pra ser mesmo, a girina tem um precipício de queda por mulheres mais velhas e se forem casadas pra ela se intrometer na relação então é a receita perfeita.
    Nem ela acreditou na frase q disse pra Mirella ao sair, k k k.

    Mto bom, quero mais... sempre.

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  2. Ahahahahahah...
    Única boa ação da girina foi ter terminado com a Flora antes que ela tenha motivos a mais para sofrer.
    Uma vez girina, sempre girina... Nem ela própria acredita no que disse pra Mirella, quero só ver as cenas dos próximos capítulos.

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