segunda-feira, 3 de setembro de 2018

CAPÍTULO 08 - O INFERNO SÃO OS OUTROS


MÚSICA QUE INSPIROU O CAPÍTULO:



Aquele mês passou com uma velocidade tão surpreendente quanto a facilidade com que o relacionamento entre Amanda e Flora se estabeleceu. Era a primeira vez que um namoro de Amanda corria tão bem. Existia uma leveza e uma tranquilidade à qual não estava absolutamente acostumada e que antes considerava impossível. Claro que sabia que isso se dava exatamente pelo fato de não estar apaixonada. Gostava de Flora, se entendiam muito bem na cama e fora dela, era um relacionamento que a deixava feliz e segura, mas... O que sentia não era amor. Na verdade, se comparasse ao que havia sentido por Rafaela e Michelle, não era nada. Fato que a preocuparia e assustaria imensamente se não evitasse pensar sobre isso. 
Preferiu focar na maneira como Flora se encaixava em sua vida, começando pelo círculo de amigos – que não eram, nem de longe, pessoas fáceis de se agradar – e terminando com sua família. A primeira conquista foi Juliana, a irmã e Flora imediatamente se tornaram amigas, a ponto de influenciar Elaine que, de tanto ouvir elogios vindos da filha, tomou a iniciativa que Amanda nunca, jamais esperaria:
- Da próxima vez que vier, traga a sua namorada. Eu e seu pai queremos conhecer a menina.
Não foi com facilidade nem sem receio que aceitou o convite. Viu todos os próprios medos caírem por terra quando o final de semana com a namorada na casa dos pais correu às mil maravilhas. Encerrando com chave de ouro - a mãe se despedindo de Flora de forma surpreendente:
- Volte sempre que quiser, minha querida, nessa casa você é muito bem-vinda.
Deixando Amanda com a certeza de que namorar com Flora era a melhor coisa que já tinha feito em sua vida.
Não foi surpresa quando Flora cobrou a dívida recém adquirida:
- Agora é a sua vez.
No caso de Flora bem mais simples, pois não tinha irmãs nem irmãos e mal conhecia o pai, fazia anos que não o via, ele tinha se divorciado não só da mulher, mas também da filha. Seu relacionamento com Flora se resumia à uma miséria adquirida na justiça descontada em folha mensalmente, que Flora absolutamente não queria, por julgar arrancada à força, mas a mãe insistia em não abrir mão:
- É um direito seu. O mínimo. Já que infelizmente ele, a sociedade e a lei acham que essa é a única responsabilidade de um pai e que é o suficiente. Só que não.
A família dela então se resumia à mãe, que tinha uma namorada de quem Flora não era muito fã: 
- Não tem motivo. Nunca fui com a cara dela, só isso. 
Bruno e Marina tiraram sarro:
- Quando vai ser o casamento?
- Quero ser o padrinho!
Débora achou lindo:
- As duas são namoradas, super normal conhecerem e serem apresentadas para as famílias. 
Lançou um olhar fulminante para Marina:
- Quem ama de verdade faz isso.
Bruno fez uma careta e, exatamente como Amanda, presenciou o que pensou ser apenas mais uma das brigas cotidianas das duas. Perceberam que não quando Débora não se rendeu às palavras, carinhos e beijos de Marina como sempre fazia. Soltou-se dela e se pôs de pé, as lágrimas escorrendo rosto abaixo quando disse:
- Acabou. Eu não quero mais. E dessa vez é definitivo.
Assim que terminou de falar, se virou e se afastou, seguida de Bruno. 


Caminharam alguns metros em silêncio, Débora rapidamente, como se estivesse fugindo de si mesma. As passadas largas Bruno facilmente acompanhou, o que teve que se esforçar - e mesmo assim falhou miseravelmente – foi para compreender a súbita explosão da amiga. Manteve o mais estranho e inédito silêncio, mesmo quando ela parou antes de cruzar o portão, dobrou o corpo e vomitou no chão e em público, algo que - assim como ela terminar com Marina – ele nunca, jamais tinha imaginado que um dia aconteceria. Segurou os cabelos de Débora, amparou-a com todo o seu amor e carinho, profundamente penalizado e ainda mais desesperado por não fazer a menor ideia de como  poderia ajudar ou o que deveria fazer. 
Vieram de Débora todas as respostas. Profundamente envergonhada, ela se desculpou, coisa que Bruno imediatamente rebateu:
- Você é mais do que minha melhor amiga, você é minha irmãzinha. E irmãos servem pra quê?
Arrancou dela um sorrisinho triste, mas já era um início, que o incentivou a prosseguir:
- Minha irmã, minha responsabilidade.
A referência à The 100, uma das séries preferidas de Débora surtiu o efeito desejado. Ela riu:
- Só pra constar: eu preferia ser Heda ao invés de Bloodreina.
Ele deu de ombros:
- Você que sabe. Só que todas as Hedas sempre têm uma morte horrível. Já a Bloodreina vence toda e qualquer parada, é a melhor de todas as guerreiras. Além de ser a mais linda do seriado. 
Piscou para Débora, que riu:
- Como discordar?
Logo depois, os olhos de Débora se encheram de lágrimas, o rosto dela adquiriu um peso e uma tristeza que não tinham nada de suaves. Bruno hesitou, mas por fim, perguntou:
- Deb... Quer falar sobre o que aconteceu?
Ela mordeu os lábios e sacudiu a cabeça em negação ao responder:
- Eu só quero esquecer.
Perante afirmação tão incisiva, Bruno concordou com um aceno de cabeça e passou o braço ao redor dos ombros dela, num abraço que expressava seu apoio incondicional. Foi assim, desse jeito, enlaçados e tentando contornar o assunto indesejado, mas absolutamente presente, que foram para a casa de Débora, onde passaram a tarde inteira.


Marina seguiu Débora com o olhar até perde-la de vista. Depois, se virou para Amanda, absolutamente lívida. Amanda permaneceu em silêncio, Marina falou porque quis:
- Eu já esperava que um dia isso fosse acontecer. Sou a pessoa de transição, mais cedo ou mais tarde ela ia terminar comigo.
Impossível para Amanda ficar calada:
- Pessoa de transição? Você tá brincando, né? A Débora é completamente apaixonada por você, todo mundo sabe disso.
Marina sacudiu a cabeça de um lado para o outro em negação:
- Quando nos conhecemos ela era apaixonada por você.
Enxugou as lágrimas numa tentativa inútil de que ninguém visse. Rapidamente foram substituídas por outras, que umedeceram seus olhos e transbordaram, deixando Amanda ainda mais incrédula e estarrecida:
- É sério isso? O que a Débora achava que sentia por mim passou rapidinho, bastou vocês duas trocarem um pouco de saliva. 
Após limpar o rosto de novo com os dedos, Marina explodiu:
- Amanda, eu sei que você está querendo ajudar, mas na boa? O que eu preciso agora é ficar sozinha.
Amanda conhecia Marina o suficiente para relevar a grosseria, tinha plena consciência de que ela estava fora de si e que o melhor a fazer era o que ela queria:
- Tudo bem, eu já vou indo.
Ameaçou se levantar, mas Marina a impediu:
- Desculpa se fui grossa, não é nada com você. Vou pra casa esfriar a cabeça, nos falamos depois.
Pôs-se de pé no exato momento em que Amanda disse:
- Se precisar, sabe que estou aqui, pode contar comigo.
A resposta foi um aceno de cabeça antes de Marina dar a volta na mesa, beijar Amanda no rosto, agradecer e sair.


Flora encontrou Amanda alguns minutos depois, ainda sentada sozinha na cantiga. Estranhou vê-la sem os amigos:
- Onde estão os outros?
A perplexidade de Flora não poderia ser maior ao ouvir Amanda contar o que havia acontecido.
- Mas elas terminaram mesmo?
Amanda lamentou ter que confirmar:
- Parece que sim.
O silêncio que se estabeleceu foi breve, Flora logo o interrompeu:
- Acho que era inevitável. Elas brigavam demais, é impossível uma relação durar assim.
A colocação deixou Amanda indignada:
- Elas se amam. Impossível é ignorar isso.
Um sorriso condescendente surgiu nos lábios de Flora ao vê-la defender as amigas com tamanho romantismo. Questionou-a:
- Você acha que amor é o bastante pra um relacionamento dar certo?
A última coisa que Amanda esperava por parte da namorada era esse tipo de ceticismo:
- Você não?
A resposta foi sincera e imediata:
- Acho que é preciso mais do que isso. Não me agrada nem um pouco essa história de “apesar de tudo, eu a amo”. Amor de verdade não te diminui nem te faz sofrer, faz a gente ser feliz.
Amanda não discordava completamente:
- Não é tão simples, né? Existem vários fatores envolvidos.
Nunca tinha visto Flora tão séria, nem tão incisiva:
- Não estou falando de coisas de fora que fazem sofrer não. Estou falando quando o sofrimento vem da relação em si. Ficar atrás de alguém que não te ama, que não te faz bem e que te faz sofrer é masoquismo. Inadmissível.
Aquilo atingiu Amanda como um tapa na cara. Afinal, era algo que já tinha se permitido viver e que, por mais que se arrependesse jamais poderia afirmar que não repetiria. Até porque, enquanto estava vivendo a situação, não enxergava outra forma ou saída.
- É muito fácil falar. Principalmente se você nunca passou por algo do tipo.
Olhando-a nos olhos, Flora surpreendeu Amanda mais uma vez:
- Quem te disse que não?
Naquele instante, Amanda percebeu que sabia pouquíssimo sobre a namorada. Não a conhecia de verdade... Ainda.
- Quer me contar?
Ela encerrou o assunto de forma definitiva:
- É passado. Prefiro não falar sobre isso.


Amanda não teve tempo de pensar sobre o término de Débora e Marina, muito menos sobre a conversa com Flora, ainda tinha uma aula depois do almoço e assim que terminou correu para casa, tentando controlar o próprio nervosismo, pois ia jantar na casa de Flora e conhecer a mãe dela naquela noite. 
Arrumou-se cuidadosamente, prestando atenção em cada detalhe, querendo causar a melhor impressão possível. 
Minutos antes de sair recusou pela última vez a oferta de Flora de ir buscá-la, foi de uber, queria que a sogra pensasse e soubesse que era perfeitamente capaz e independente. 
“Sogra?”
A seriedade daquilo tudo só serviu para deixá-la mais ansiosa ainda. 
Flora a conhecia o suficiente, assim que abriu a porta e olhou para Amanda percebeu. Beijou-a de forma ardente e apaixonada na boca, a abraçou e soprou em seu ouvido:
- Nervosa você fica mais linda ainda.
Olhou dentro dos olhos de Amanda e sorriu:
- Fica tranquila, a minha mãe vai amar você.
Voltou a beijá-la, desta vez um mero roçar de lábios, antes de pegá-la pela mão, os dedos entrelaçados nos dela e puxar Amanda para a cozinha. 
A mãe de Flora estava de frente para a porta, cortando cenouras na tábua em cima da bancada da ilha central. Assim que Flora a chamou, largou a faca, limpou as mãos num pano de louça e se adiantou para elas:
- Amanda, seja bem-vinda! É um prazer finalmente te conhecer, viu?
Cumprimentaram-se com um beijinho, Amanda totalmente constrangida e formal ainda:
- O prazer é todo meu, dona Paola.
Na mesma hora, Paola protestou:
- Dona não, nem senhora, por favor! Não estou tão velha assim, estou?
Olhou para a filha, que imediatamente retrucou:
- Comparado ao quê? A idade do mundo?
Foi para Amanda que a mãe de Flora falou:
- Ela é tão engraçadinha, né? 
Antes que Amanda pudesse responder, a mulher mais velha completou:
- Me chame só de Paola, por favor!
Depois, voltou para trás do balcão, pegou a faca e prosseguiu com a preparação do jantar. Amanda perguntou por pura educação:
- Quer uma ajuda?
Surpreendendo Flora, que jamais se ofereceria. Para alívio de Amanda - que não sabia o que faria caso fosse aceita como auxiliar, pois era um desastre total na cozinha -, Paola recusou:
- Obrigada, querida, mas não precisa. Está tudo sob controle.
Virou-se para Flora:
- Onde estão seus modos, filha? Vê se Amanda quer beber alguma coisa.
A resposta de Flora foi abrir a geladeira e pegar uma latinha:
- Cerveja?
Preocupada em causar boa impressão, Amanda hesitou durante um instante ínfimo. O tempo que Paola levou para dizer:
- Também quero.
Enquanto Flora pegava três tulipas, abria a cerveja e servia, Paola cortou mais legumes, um brócolis inclusive. Como se pudesse ler os pensamentos de Amanda - na verdade, a expressão dela olhando aterrorizada para a comida era claríssima - Paola a tranquilizou:
- Como você sabe, eu e a Flora somos vegetarianas, mas a Mirella não é, então quando chegar vai fazer algo carnívoro pra vocês duas. Falando nela...
Antes que Amanda pudesse olhar para trás, seguindo o olhar de Paola, a mulher parada na porta disse:
- Desculpem o atraso, mas surgiu um pepino pra resolver lá no escritório justamente quando eu  estava saindo.
O som da voz de Mirella foi a primeira impressão que Amanda teve dela. E essa, por si só, já causou um arrepio. Quando finalmente se virou e os olhos se depararam com a imagem mais... Mais... Buscou inutilmente uma palavra que  definisse a mulher capaz de fazer com que seu vocabulário e tudo que pensava saber da vida parecesse pobre, imaturo e insuficiente. 
Totalmente alheia à sensação de ter sido atingida por um raio que Amanda estava sentindo, Mirella rapidamente cruzou o espaço que a separava de Paola e, segurando-a pela cintura, beijou a namorada na boca:
- Oi, amor.
Depois se virou para Flora:
- Não vai me apresentar pra sua namorada?
A animosidade entre as duas era quase palpável. Bastaria uma faísca para que explodisse. Como sempre, coube à Paola agir como mediadora:
- Amanda, essa é a Mirella. 
A namorada da mãe de Flora sorriu e avançou, tornando a mudez de Amanda mais derradeira ainda.
- Oi, Amanda. Tudo bem?
Disse e estendeu a mão, não deixando à Amanda outra opção além de aceitar o contato breve e aparentemente simples. 
Exatamente como já esperava, o toque ardeu em sua pele numa atração inevitável e irreversível, deixando claro para Amanda que aquela mulher era um perigo, uma ameaça, um risco do qual precisava fugir.

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Postado em 03 de outubro de 2018 às 18h.

8 comentários:

  1. Well, well... to vendo q 'alguém' vai cair de paixão pela mulher alheia Dnovo.
    k k k
    Só quero ver isso... ao menos Michelle realmente se tornara passado.
    To mto curiosa.

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    Respostas
    1. Mirella chegou chegando, né?
      Agora, uma coisa é a Amanda se sentir atraída e outra bem diferente é ser correspondida...

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  2. Prevejo desastres a seguir, foge enquanto é tempo Amanda.

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  3. Mas o raio da miuda (Amanda) sö se alvoraça com mulheres comprometidas...oh raça para arranjar confusāo...já tou em pulgas para saber o que vai dar estes "arrepios"...não auguro grande coisa ;)
    Sempre bom este frenesim...
    Beijos

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    Respostas
    1. O problema é q ela só se alvoroça por mulheres mais velhas que, geralmente já estão comprometidas... kkk
      Aonde isso a levará? Veremos!

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  4. Sério isso girina? Ai, ai, aiii...
    Vai se sentir ... pela namorada da sogra?? Affz, que tu não tem jeito mesmo!

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