segunda-feira, 3 de setembro de 2018

CAPÍTULO 04 - AINDA BEM


MÚSICA QUE INSPIROU O CAPÍTULO:



OBS IMPORTANTE: Este romance é um spin off de FALSAS VERDADES e crossover com LUAS DE MARIASVocê não precisa ter lido nenhum dos dois para compreender esta história, mas claro que quem leu vai aproveitar bem mais a volta das personagens...


Para ler FALSAS VERDADES acesse: http://falsasverdadess.blogspot.com.br/


Por mais que aquele primeiro momento tivesse sido perfeito e repleto de um sentimento tão maravilhoso que parecia conter algum tipo de magia, não foi fácil para Débora acreditar que era mesmo verdade. Foi necessário muita paciência e esforço por parte de Marina. Pouco a pouco, conforme os dias se passaram, repetiu mil vezes, mostrou e provou - muito mais com ações do que com palavras - que estava mesmo apaixonada. 
Colocou a própria insegurança de lado, o desconforto de sentir-se inteiramente vulnerável, de ter plena consciência do poder que Débora tinha, a facilidade com que era ferida a cada discussão, agressão, ciúme tolo ou rejeição que sofria. 
Algo insustentável, que teve seu auge na festa dos calouros. Como todas as brigas anteriores, sem um motivo palpável ou admissível.
O gatilho foi o momento em que Amanda ficou com uma garota desconhecida. Débora virou-se para Marina enfurecida:
- Aposto que você faria a mesma coisa se eu não estivesse aqui.
A primeira reação de Marina foi perplexidade. Virou-se para Débora sem acreditar:
- Como é?
Soou quase doce, principalmente se comparado à forma violenta com que Débora retrucou:
- A Amanda também tem namorada e se diz apaixonada e olha aí. 
A comparação conseguiu finalmente irritar Marina:
- O que que eu tenho a ver com isso, me diz?
Débora se assustou, não estava acostumada a ver Marina se alterar. Levou um segundo ínfimo para se recuperar:
- Vocês são iguaizinhas!
Marina engoliu a vontade de mandar Débora à merda e o medo terrível que aquela afirmação causou, de ser Amanda quem Débora realmente queria. Respirou fundo para replicar com a maior serenidade que conseguiu:
- Eu e Amanda não somos nem um pouco parecidas.
Inteiramente mergulhada no que a afligia, Débora não percebeu nem o esforço que Marina estava fazendo, muito menos o quanto a estava magoando. Prosseguiu com o mesmo ímpeto:
- Você quer mesmo que eu acredite que você está satisfeita e feliz só comigo?
O tom de Marina finalmente subiu:
- Por que eu não estaria?
A resposta de Débora saiu quase gritada:
- Você pegava todas, Marina!
Marina deixou escapar um suspiro exasperado. Depois, sacudiu a cabeça de um lado para o outro e fez a única coisa que lhe pareceu possível: riu. Com a mesma ironia com que proferiu:
- Quer saber? Acho que você está projetando a sua vontade em mim.
Óbvio que Débora nem parou para pensar. A negação foi mediata:
- Não seja ridícula!
Sustentou o olhar de Marina com a firmeza que a própria certeza lhe conferia. No entanto, naquele instante, nada seria capaz de convencer Marina:
- Ah, vamos lá, Débora... Por que ver a Amanda beijando alguém te deixa com tanta raiva? Não é por minha causa que você está assim!
A mudez de Débora tinha uma única razão: o fato de nunca, jamais ter cogitado a hipótese de Marina ter algum tipo de insegurança. Ciúmes, menos ainda.
Para Marina, o silêncio dela pareceu a confirmação daquilo que mais temia. Respirou fundo, tomando coragem para enfrentar a verdade, por mais que preferisse não a ouvir:
- Pode ser sincera. Você ainda sente algo pela Amanda, não é?
A voz de Marina tremeu, a expressão dela mudou, assumiu uma fragilidade visível, fazendo com que Débora se apressasse em esclarecer:
- Não, é claro que não. A Amanda é passado.
Antes que Marina pudesse fazer ou dizer qualquer coisa, concluiu:
- É você que eu amo.
Soou tão baixo que Marina achou que estava enganada, tinha escutado errado, só podia. Dúvida que tentou dirimir o mais rápido possível:
- O que foi que você disse?
Durante o momento de suspensão que se seguiu, os olhares se encontraram, completamente despidos de qualquer outra coisa além do que sentiam. Débora foi a primeira a se mover. Aproximou-se lentamente, encostou o corpo no de Marina, passou os braços ao redor do pescoço dela, foi com a boca em seu ouvido que repetiu:
- Eu amo você.
Era a primeira vez que ela dizia em alto e bom som. O suspiro que Marina deixou escapar foi quase um gemido. Segurou Débora pela cintura, para mantê-la junto a si. Afastou o rosto apenas o suficiente para olhar nos olhos dela quando perguntou:
- É por isso que você vive brigando e terminando comigo?
Débora tomou a boca de Marina na dela. Beijou-a com a mesma paixão irrefreada com que foi correspondida. Desceu os lábios pelo pescoço de Marina, causando arrepios. Depois, agarrou-se a ela, apertou-a com força contra si. Manteve os rostos e os corpos inteiramente colados enquanto confessava:
- Eu morro de ciúmes de você. Morro de medo de te perder. Não consigo acreditar que você... Que você...
Quem completou a frase foi Marina:
- Que eu também te amo? 
Olhou Débora nos olhos ao responder a própria pergunta:
- Como nunca amei ninguém em toda a minha vida.
A incredulidade de Débora pareceu palpável de tão visível. Da mesma forma, a indignação de Marina:
- Eu já fiz de tudo pra você enxergar. Mas a única coisa que você vê quando olha pra mim é o meu passado. 
O protesto de Débora continha um sofrimento profundo, quase desesperado:
- Não é passado. Tem mil garotas querendo provar do “furacão Marina” e outras mil querendo repetir.
Marina segurou o rosto de Débora carinhosamente entre as mãos:
- Tem? Eu não sei, sabe por quê? Minha atenção é toda e exclusivamente sua. Só você não percebe isso.
Beijou-a de leve, um roçar de lábios apenas, com gosto de despedida. Recuou dois passos, andando de costas, olhando para Débora como se quisesse guardar a imagem dela nas retinas. Depois, virou-se e caminhou rapidamente em direção à saída. Débora permaneceu imóvel durante alguns segundos, inteiramente estarrecida. Praticamente correu atrás de Marina quando se recuperou, enfim. Alcançou-a no estacionamento:
- Marina, espera!
Mas Marina não parou, sequer se virou, obrigando Débora a chamá-la de novo, desta vez com um grito:
- Marina!
Ela diminuiu o passo e Débora a segurou pelo braço:
- Por favor, não vai embora assim.
Marina finalmente se virou para ela, sem tentar disfarçar o choro. Deixou que Débora visse as lágrimas que escorriam:
- Estou cansada, muito cansada de discutir e brigar, de tentar te fazer acreditar. De esperar, desejar o impossível. Você nunca vai confiar em mim. 
Aquilo deixou Débora comovida. E profundamente arrependida. Acariciou o rosto de Marina com a mão direita e com a esquerda a segurou com firmeza pela cintura enquanto afirmava, demonstrando a maior convicção do mundo:
- Te prometo que vou.  
Entretanto, não foi suficiente para deixar Marina convencida. Ela teria se soltado se Débora não pedisse: 
- Me desculpa, meu amor...
Não precisaria mais nada, as duas últimas palavras tiveram o poder de fazer Marina perdoar tudo que havia acontecido.
Beijou-a com o cuidado que se tem com algo precioso, mas nem por isso deixou de imprimir na carícia o desejo incontrolável que sentia cada vez que a olhava, mais ainda quando as peles se tocavam. Só aumentou ao ser inteiramente correspondida. Sussurrou roucamente no ouvido dela:
- Vamos sair daqui?
Proposta que Débora aceitou sem hesitar, estavam como sempre, em total sintonia. Caminharam de mãos dadas até o carro de Marina. 
Assim que trancaram as portas, se viraram uma para a outra e Marina sugeriu:
- Pra minha casa?
A resposta de Débora a pegou de surpresa:
- Não, pra minha.
Pois era a primeira vez que ela a convidava. Só podia haver uma razão para aquilo:
- Sua mãe não está em casa?
Débora sorriu:
- Ela está.
Frente à evidente perplexidade de Marina, viu-se obrigada a explicar:
- Exatamente por isso. 
Marina sorriu de volta, absolutamente feliz. Essa era uma das coisas que mais a incomodava, o fato de não conhecer a casa nem a mãe de Débora ainda, principalmente por saber que com Amanda ela não tinha demorado tanto tempo assim. Espantou-se quando Débora disse:
- Eu sei o que você está pensando. E é exatamente o contrário. Com você é diferente, quero fazer tudo certo, porque você é importante demais pra mim. 
Com um sorriso que Débora achou lindo, Marina roçou os lábios de leve nos dela antes de declarar:
- Eu te amo.
O retorno foi imediato e inteiramente previsível:
- Eu também te amo.
Nem por isso deixou de ser especial, Marina se emocionou como se fosse novamente a primeira vez que ouvisse. Voltaram a se beijar, desta vez com a intensidade que o momento pedia.
Nenhuma das duas saberia precisar o instante em que o contato se tornou insuficiente e as carícias conduziram a mais. Tampouco se Débora a puxou, se ela se lançou no colo de Débora ou se a ação foi conjunta, quando Marina deu por si, estava montada em cima de Débora, com ela entre as suas pernas.
Suspirou, inebriada, ardendo e ofegando o que sentia de uma maneira única, absolutamente exclusiva, que era só para Débora, apenas com ela acontecia. Um amor que nem desconfiava que pudesse existir, muito menos que algum dia iria sentir e ver correspondido. 
Ter Marina tão absolutamente entregue mergulhou Débora num estado de excitação e adoração irreversível. Sem se importar com o fato de estarem num local público sem qualquer privacidade - pois qualquer pessoa que passasse poderia ver o que estava acontecendo através do vidro - desceu as mãos pelo corpo de Marina, provocando e incitando, procurando e encontrando o que queria.
Quase perdeu o controle ao ouvir o som abafado que Marina deixou escapar quando tocou a carne pulsante debaixo da calcinha, a mão deslizando com a habilidade que o desejo lhe conferia. 
Marina gemeu, delirou, bailou nos dedos de Débora, inteiramente rendida ao prazer de conceder a ela poder irrestrito. 
Alternando obscenidades e juras de amor sem fim, Débora conduziu, inebriada em vê-la tão sua, tomando a satisfação de Marina para si. 
Não demorou para que o corpo de Marina estremecesse deliciosamente nos braços de Débora e, imersa num turbilhão de tesão e emoção, chamou o nome dela, vezes seguidas, variando o volume, o tom e a entonação, enquanto se lançava completamente aberta e despida de barreiras numa miríade apoteótica de sensações indescritíveis.
Enquanto Marina se recuperava, Débora a segurou com uma ternura inegável, a mesma com que falou no ouvido dela:
- Ah, Marina... Você é tudo que eu sempre quis e um pouco mais ainda...
O corpo de Marina estremeceu involuntariamente. Depois, ela desgrudou o rosto do de Débora e a fitou, com um sorriso que a deixou inteiramente ofuscada. Mais ainda quando entreabriu os lábios e cantarolou:
  “Ainda bem 
   Que agora encontrei você
   Eu realmente não sei 
   O que eu fiz pra merecer
   Você...”

Teria cantado mais - pois a música em questão expressava com perfeição o que sentia -, porém Débora não permitiu. Na verdade, sabia a letra de cor, pois esta não lhe saía da cabeça e a vinha ouvindo constantemente desde que tinha começado a sair com Marina. Beijou-a com toda a sua paixão, com todo o seu amor, com todo o seu carinho. Marina correspondeu com a mesma reciprocidade. Trocaram um beijo rápido, já com a urgência de irem embora dali. 
Marina saiu de cima de Débora e voltou a se acomodar ao lado dela, no banco do motorista. 
Menos de um minuto depois, Amanda surgiu:
- Meninas, estou indo e preciso do meu celular.
Ao invés de devolver o aparelho, Marina falou:
- Entra aí, a gente te leva em casa.
Tentou recusar:
- Não precisa, eu chamo um ub...
Antes que pudesse completar, Débora a cortou:
- Amanda, deixa de palhaçada e entra logo aí atrás!


Amanda obedeceu, fingindo normalidade, mas ainda acanhada por ter visto as duas fazendo sexo no carro. Tinha esperado terminarem, pois não queria constrangê-las, muito menos atrapalhar. 
Sentada ali, no banco de trás, sentindo a química, a energia e o amor visível entre as duas, foi impossível evitar. Voltou a pensar em Michelle, no quanto tinha sofrido ao assistir a namorada olhando, admirando e babando pela ex, como se Amanda não estivesse com ela, como se sequer existisse. Claro que sabia que Michelle não tinha esquecido Laura, que um casamento de vinte anos não terminava assim, do nada, a própria mãe fazia questão de repetir isso sempre que se falavam ou se viam. Mas não era  a razão, era o amor e a paixão que a moviam, criando a esperança de ser integralmente correspondida. Esperaria o tempo que fosse, insistiria o quanto fosse preciso, para ter Michelle estava disposta a tudo. 
Olhou de novo para Débora e Marina - tão inegavelmente apaixonadas à sua frente - e aquilo serviu como incentivo. A relação das duas mostrava e provava que era possível. Assim como elas, Amanda também poderia, teria e viveria seu grande amor e seria feliz.
O último pensamento a fez decidir: a primeira coisa ao acordar no dia seguinte seria ligar para a mulher que amava, cujo nome deixou escapar num suspiro baixinho, que somente ela ouviu:
- Michelle...


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Postado em 19 de setembro de 2018 às 18h.

4 comentários:

  1. Adorei, Marina finalmente deu um chacoalhão em Débora. Na boa não sei como ela aguentou tanto tempo... o guria chata sô. k k k
    Amanda não se toca mesmo... cresce e aparece girina.
    Espero q Débora cresça e se entenda com Marina pq as duas são mto fofas.

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    Respostas
    1. Ah, pois é! A Marina mostrando uma paciência que ninguém nem desconfiava que ela possuía! Faz parte, né? kkkk
      Tadinha da Amanda, vc sempre implicando com ela!
      Vamos ver agora se Débora evolui e de girina vira sapa! Amanda idem!
      bjo suuuuuuuuuuper especial no cooração!

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  2. Ahh! Eu no lugar da Marina acho que não tinha aguentado esse tempo todo, não.
    Débora tava muito criancinha agindo assim.
    Tomara que ela melhore de agora para frente, ahahah, porque vai ser lindo ver as duas juntas (tomara, né?!), rs.

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    1. kkkk
      Marina é uma santa agora!
      Vamos ver até quando...
      bjin!

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